{"id":1751,"date":"2026-02-06T10:35:01","date_gmt":"2026-02-06T10:35:01","guid":{"rendered":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1751"},"modified":"2026-02-06T10:35:01","modified_gmt":"2026-02-06T10:35:01","slug":"dois-meses-de-arqueologia-e-arte","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1751","title":{"rendered":"Dois meses de arqueologia e arte"},"content":{"rendered":"\n<p>O Munic\u00edpio da Figueira da Foz promove, no ano em que o Museu Municipal Santos Rocha assinala o seu 132.\u00ba anivers\u00e1rio, um not\u00e1vel ciclo de confer\u00eancias sobre Arqueologia que, ao completar uma d\u00e9cada, alarga a sua tem\u00e1tica \u00e0 Arte.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo nota do <em>gabinete de comunica\u00e7\u00e3o<\/em> do munic\u00edpio, ampla e solicitamente divulgada pela comunica\u00e7\u00e3o social, este ano a 10.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do ciclo de confer\u00eancias \u00abTemas de Arqueologia\u00bb realiza-se de 4 de Fevereiro a 18 de Mar\u00e7o, \u00e0s quartas-feiras, pelas 14h30, no Audit\u00f3rio Madalena Biscaia Perdig\u00e3o &#8211; em parceria com a Associa\u00e7\u00e3o Viver em Alegria e, pela primeira vez, com a Livraria do Largo.<\/p>\n\n\n\n<p>Este ciclo \u00e9 composto por seis confer\u00eancias que <em>\u201cprocuram dar resposta aos interesses da comunidade universit\u00e1ria e do ensino secund\u00e1rio, abordando temas de Arqueologia, de Arte, de Hist\u00f3ria e de Hist\u00f3ria Local, entre outras \u00e1reas de saber\u201d <\/em>e<em> \u201cfuncionam como aulas da disciplina de Patrim\u00f3nio da Universidade S\u00e9nior da Figueira da Foz (USFF)\u201d<\/em> e <em>\u201cconferem credita\u00e7\u00e3o pela CFAE Beira Mar \u2013 Centro de Forma\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o de Escolas e, para al\u00e9m do p\u00fablico privilegiado da Universidade, s\u00e3o abertas \u00e0 comunidade, sejam seniores ou jovens, professores ou estudantes, historiadores e investigadores\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A primeira confer\u00eancia teve lugar no dia 4 de Fevereiro e como orador Pedro Correia Silva, que apresentou o seu livro <strong>\u00abEscavar o Passado \u2013 uma breve hist\u00f3ria da arqueologia\u00bb.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As seguintes cinco confer\u00eancias realizam-se a<br>11 de Fevereiro &#8211; <strong>\u00abA imagem fotogr\u00e1fica na Arqueologia em Portugal\u00bb<\/strong>, por Carlos Batista, arque\u00f3logo do munic\u00edpio da Figueira da Foz;<br>25 de Fevereiro &#8211; <strong>\u00abArqueologia nas Margens: Comunidade, Mem\u00f3ria e Resist\u00eancia no Espa\u00e7o Social\u00bb<\/strong>, por T\u00e2nia Casimiro, investigadora especializada nos contactos globais entre pessoas e objectos, desde a \u00e9poca moderna at\u00e9 \u00e0 contemporaneidade;<br>4 de Mar\u00e7o &#8211; <strong>\u00abManuel Filipe: Da obra ao negro \u00e0s cores da Liberdade\u00bb<\/strong>, por Pedro Ferr\u00e3o e Fernanda Alves, conservadores do Museu Nacional de Machado de Castro, especialistas em Hist\u00f3ria da Arte;<br>11 de Mar\u00e7o &#8211; <strong>\u00abJo\u00e3o Afonso: Um mestre dos sinos que se tornou escultor\u00bb<\/strong>, por Carla Gon\u00e7alves, Professora da Universidade Aberta e investigadora do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ci\u00eancias do Patrim\u00f3nio da Universidade de Coimbra;<br>18 de mar\u00e7o &#8211; <strong>\u00abTestemunhos materiais da presen\u00e7a de Portugal na \u00c1sia nos s\u00e9culos XVI a XVIII: As colchas de motivos bot\u00e2nicos ao modo da \u00cdndia e da P\u00e9rsia do Museu Municipal Santos Rocha\u00bb<\/strong>, por Ana Barros Ferraz, mestre em Hist\u00f3ria da Arte da \u00c9poca moderna, especialista em t\u00eaxteis orientais.<\/p>\n\n\n\n<p>Dada a pertin\u00eancia, diversidade dos assuntos, \u00f3bvia relev\u00e2ncia cultural e eminente interesse p\u00fablico da sua divulga\u00e7\u00e3o, a <strong>Passarola<\/strong> n\u00e3o podia deixar de assistir a todo o ciclo. Contudo, apesar de noticiada para o Audit\u00f3rio Madalena Biscaia Perdig\u00e3o, a primeira confer\u00eancia acabou por ser deslocalizada para o CAE em virtude do agendamento de \u00faltima hora de um evento da Liga dos Combatentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, este not\u00e1vel ciclo de confer\u00eancias promovido pelo munic\u00edpio teve in\u00edcio com algum atraso no pequeno audit\u00f3rio do CAE perante uma numerosa e animada audi\u00eancia e, como \u00e9 habitual, sem a apresenta\u00e7\u00e3o protocolar de ningu\u00e9m em representa\u00e7\u00e3o do pelouro da Cultura ou da C\u00e2mara Municipal, nem a presen\u00e7a da comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>Pedro Correia Silva: escavar o passado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pedro Correia Silva fez a viagem de horas do Alentejo \u00e0 Figueira da Foz com uma miss\u00e3o: explicar \u00e0s pessoas o que \u00e9, afinal de contas, a arqueologia, e qual \u00e9 a sua import\u00e2ncia para a sociedade. Na palestra em que apresentou o seu livro, <em>Escavar o Passado<\/em>, come\u00e7ou por dizer que toda a vida aprendeu sobre o mundo atrav\u00e9s dos livros de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de autores como Carl Sagan, Stephen Jay Gould, Bill Bryson, Carlo Rovelli; toda uma galeria de excelentes livros de excelentes comunicadores mas que tinha uma falha: n\u00e3o havia livros assim sobre arqueologia. Ent\u00e3o decidiu ele, professor de hist\u00f3ria e arque\u00f3logo de forma\u00e7\u00e3o, colmatar essa falha \u2013 com o apoio da Gradiva, a mesma editora dos livros que tinha crescido a ler.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <em>Escavar o Passado<\/em>, conta a hist\u00f3ria da arqueologia em Portugal e no mundo, luta pela sua relev\u00e2ncia (\u00e9 a \u00fanica ci\u00eancia que nos revela os 98% da hist\u00f3ria do <em>Homo sapiens <\/em>que decorreram antes da inven\u00e7\u00e3o da escrita) e contra as representa\u00e7\u00f5es erradas ou fantasiosas (n\u00e3o \u00e9 as acrobacias de chicote do Indiana Jones, nem \u00e9 escava\u00e7\u00f5es de ossos de dinossauros \u2013 isso \u00e9 paleontologia). Pelo meio de tudo isto, acaba por se encontrar a batalhar pela preserva\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia de forma geral, como disciplina cred\u00edvel, confi\u00e1vel, \u00edntegra, e que n\u00e3o existe \u00e0 parte do universo pol\u00edtico. Nesta palestra, vers\u00e3o muito resumida do livro, abordou o aproveitamento de fantasias derivadas da arqueologia feito pelos fascismos de Hitler e Mussolini, e desinforma\u00e7\u00f5es mais recentes como as que se v\u00eam no canal Hist\u00f3ria, consistentemente renovadas para novas temporadas, para dizer que o interesse pelo passado da Humanidade tem de passar pela desacredita\u00e7\u00e3o das teorias da conspira\u00e7\u00e3o, que podem partir de mentirosos compulsivos patuscos obcecados com alien\u00edgenas, ou de manobras obscurantistas mais calculadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sess\u00e3o de perguntas final, em resposta a uma quest\u00e3o sobre o que o preocupa mais no estado actual da arqueologia, disse que \u201ca academia est\u00e1 t\u00e3o focada, e bem, na produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado cient\u00edfico, que algo se perde quando esse conhecimento passa para a sociedade\u201d. \u00c9 preciso mais divulga\u00e7\u00e3o para o p\u00fablico leigo, para que se entenda, por exemplo nos casos de escava\u00e7\u00f5es que parecem atrasar obras, que \u201ca arqueologia n\u00e3o p\u00e1ra a obra, a arqueologia faz parte da obra\u201d. Deve fazer parte das nossas vidas querermos conhecer o nosso passado, e as maneiras como se tem olhado para esse passado, para melhor navegar o presente. \u00c9 essa a import\u00e2ncia de uma arqueologia praticada e divulgada com integridade cient\u00edfica e consci\u00eancia social. Nas pr\u00f3ximas quartas \u00e0s 14h30, no Audit\u00f3rio Madalena Biscaia Perdig\u00e3o. Estaremos l\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Munic\u00edpio da Figueira da Foz promove, no ano em que o Museu Municipal Santos Rocha assinala o seu 132.\u00ba anivers\u00e1rio, um not\u00e1vel ciclo de confer\u00eancias sobre Arqueologia que, ao completar uma d\u00e9cada, alarga a sua tem\u00e1tica \u00e0 Arte. 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