{"id":1763,"date":"2026-02-15T11:54:11","date_gmt":"2026-02-15T11:54:11","guid":{"rendered":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1763"},"modified":"2026-02-15T11:56:10","modified_gmt":"2026-02-15T11:56:10","slug":"achados-no-espolio-do-museu-municipal","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1763","title":{"rendered":"Achados no esp\u00f3lio do Museu Municipal"},"content":{"rendered":"\n<p>Continuou esta semana a 10\u00aa edi\u00e7\u00e3o do ciclo de confer\u00eancias sobre Arqueologia que o Munic\u00edpio da Figueira da Foz promove, desta vez a assinalar o 132.\u00ba anivers\u00e1rio do Museu Municipal Santos Rocha, em parceria com a Associa\u00e7\u00e3o Viver em Alegria e a Livraria do Largo, e com a adi\u00e7\u00e3o de temas ligados \u00e0 Arte.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema desta quarta-feira foi <strong>\u201cA imagem fotogr\u00e1fica na Arqueologia em Portugal (1850-1950): Um projecto em constru\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong>, apresentado por Carlos Batista, arque\u00f3logo do Munic\u00edpio da Figueira da Foz que abordou este tema na sua tese de doutoramento, ligada \u00e0s universidades de \u00c9vora e de Reims. Nela ele analisa o papel da fotografia no estudo da arqueologia e na hist\u00f3ria da pr\u00f3pria arqueologia, e nesta palestra focou-se em particular em contributos da fotografia para o seu trabalho de arque\u00f3logo na Figueira da Foz.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a inven\u00e7\u00e3o dos daguerre\u00f3tipos que foi imediatamente reconhecido o valor para a ci\u00eancia de \u201cum dispositivo t\u00e9cnico capaz de reduzir a interfer\u00eancia humana\u201d, um m\u00e9todo que se tornou facilmente um s\u00edmbolo da import\u00e2ncia da objectividade. Mas claro, a exist\u00eancia da fotografia como arte prova que a c\u00e2mara pode ser subjectiva, por isso n\u00e3o se \u00e9 fot\u00f3grafo de arqueologia \u00e0 toa, \u00e9 preciso saber as normas do que fotografar e como que se foram desenvolvendo ao longo do tempo \u2013 e o Arquivo Fotogr\u00e1fico da C\u00e2mara Municipal dinamiza oficinas mensais para quem quiser aprender. \u00c0 medida que se foi popularizando, a fotografia ajudou a transformar o esp\u00edrito de \u201cantiquarismo\u201d da arqueologia numa pr\u00e1tica cient\u00edfica coerente, e eventualmente a imprensa do s\u00e9culo XIX que era respons\u00e1vel pela divulga\u00e7\u00e3o da \u00e1rea ao p\u00fablico geral em Portugal adoptou o h\u00e1bito de imprimir fotografias \u2013 algo que ainda era caro, e em muitas publica\u00e7\u00f5es era por si s\u00f3 como que uma afirma\u00e7\u00e3o de estatuto. Mesmo assim, n\u00e3o foi sendo dado muito relevo aos fot\u00f3grafos respons\u00e1veis pelas imagens que nos davam acesso aos achados arqueol\u00f3gicos, e estas pessoas essenciais \u00e0 pr\u00e1tica e divulga\u00e7\u00e3o da arqueologia tornaram-se em grande parte figuras esquecidas da hist\u00f3ria da ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma figura que Carlos Batista tem vindo a resgatar no seu trabalho \u00e9 Ant\u00f3nio Mesquita de Figueiredo (1880-1954), que deixou um arquivo de, entre provas em papel e negativos, cerca de 5000 imagens \u2013 algumas das quais apresentadas a estudantes de cursos de Arqueologia portugueses sem o devido cr\u00e9dito. Ele correspondia-se com v\u00e1rios dos maiores nomes da arqueologia europeia da \u00e9poca, incluindo Santos Rocha, e era s\u00f3cio da Sociedade Arqueol\u00f3gica da Figueira da Foz, da\u00ed este arquivo estar agora na posse do Museu Municipal. Carlos Batista tem estado a digitaliz\u00e1-lo: fotografias sobretudo ligadas a um projecto de Mesquita da Figueiredo de fazer um \u201cmapa patrimonial do pa\u00eds\u201d, inserido numa corrente nacionalista de etnografia que se via como uma busca da verdadeira identidade portuguesa. Muitas destas imagens s\u00e3o da zona do Baixo Mondego, e junto com muito trabalho de pesquisa j\u00e1 levaram a v\u00e1rias descobertas. Uma delas foi um d\u00f3lmen no Casal do Mato, um monumento de localiza\u00e7\u00e3o inserta cuja escava\u00e7\u00e3o Mesquita de Figueiredo fotografou, e um processo trabalhoso de cruzamento de dados indicou as prov\u00e1veis coordenadas onde esta escava\u00e7\u00e3o decorreu \u2013 um processo que Carlos Batista relatou em pormenor nesta palestra, numa janela para os bastidores de um estudo cient\u00edfico deste g\u00e9nero.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, para al\u00e9m de escavar o passado da humanidade na terra, \u00e9 tamb\u00e9m poss\u00edvel escavar o passado da pr\u00f3pria arqueologia em arquivos fotogr\u00e1ficos. Para quem quiser ler mais sobre isto, foi recomendado o livro <em>What Photographs Do: The Making and Remaking of Museum Cultures<\/em>, de Elizabeth Edwards e Ella Ravilious. Como revista cultural, a Passarola aproveita a oportunidade de recomendar tamb\u00e9m um filme que aborda isto: <em>La Chimera<\/em>, de Alice Rohrwacher. Para quem preferir sair de casa e p\u00f4r a fotografia ao servi\u00e7o do patrim\u00f3nio no presente e pelas suas pr\u00f3prias m\u00e3os, o Museu Municipal Santos Rocha aproveitou este evento para pedir a quem saiba de incidentes de danos pelas tempestades recentes que tire fotos e as envie para o endere\u00e7o de e-mail <em>museu@cm-figfoz.pt<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Imagem: <\/strong>Foto de Ant\u00f3nio Mesquita de Figueiredo, publicada em <em>Estudos Arqueol\u00f3gicos de Oeiras<\/em>, volume 26, de Jo\u00e3o Cardoso.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continuou esta semana a 10\u00aa edi\u00e7\u00e3o do ciclo de confer\u00eancias sobre Arqueologia que o Munic\u00edpio da Figueira da Foz promove, desta vez a assinalar o 132.\u00ba anivers\u00e1rio do Museu Municipal Santos Rocha, em parceria com a Associa\u00e7\u00e3o Viver em Alegria e a Livraria do Largo, e com a adi\u00e7\u00e3o de temas ligados \u00e0 Arte. 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