EnCantar pela Paz – Luís Albuquerque

Durante todo o mês de Agosto a Passarola está a editar uma série de artigos e pequenas entrevistas para dar a conhecer os artistas que participam no evento EnCantar pela Paz que, produzido pel’OdezanovedejunhoAssociação de Ideias, decorrerá de 3 a 27 de Setembro no Auditório Madalena Biscaia Perdigão.

Luís Albuquerque ou o cinema desenfreado

Luís Albuquerque nasceu em 1963 em Novo Redondo (actual Sumbe) Angola e mudou-se para a Figueira da Foz com apenas um ano de idade. Lita, como é conhecido, dedicou a primeira parte da sua vida ao basquetebol de alta-competição; venceu todas as competições nacionais ao serviço do Benfica, do Ginásio Figueirense e da Associação Naval 1º de Maio e foi 66 vezes chamado a representar a selecção nacional.

Só depois se dedicou à música; como compositor até já tem 84 obras registadas na SPA, mas “Fugiu Peter Pan”, um filme/musical que realizou e produziu em 2010 (juntamente com a Timelapse-Media), “desenfreou-lhe o atrevimento e a temeridade de se querer considerar, também, realizador”.

De então para cá já realizou, entre dramas, comédias e um épico-histórico, pelo menos sete longas-metragens de ficção e um documentário, recorrendo invariavelmente ao mesmo processo de produção: “não pedir ajuda financeira oficial mas sim o envolvimento de todas as entidades que se mostrem disponíveis, com a contrapartida da publicidade”.
2017 foi o ano da sua “consagração nacional” com o filme “Por onde escapam as palavras”, que entrou no circuito comercial sem qualquer apoio de uma entidade institucional. O filme chegou à 17º posição nos filmes mais vistos em 2017 (dados ICA, Instituto do Cinema e do Audiovisual).
Em 2019, celebrou um contrato de parceria com a maior distribuidora portuguesa NOS Audiovisuais para a realização do filme “Viriato”, que estreou a 10 de Outubro de 2019 em todos os cinemas nacionais e atingiu o 14º posto dos filmes nacionais mais vistos em Portugal (dados ICA), por entre 52 longas-metragens.
“O Natal dos Silvas”, uma comédia produzida e realizada entre Março e Abril de 2025, já tem ante-estreia marcada para o dia 18 de Dezembro no CAE. E em 2026 também tem prevista a exibição comercial de outra comédia: “Geme… la vie!”

O EnCantar pela Paz exibirá, no dia 20 de Setembro às 21.30h, o seu segundo filme, “DOM”: um drama que Luís Albuquerque dirigiu em 2012 e que conta com o actor Vítor Filipe num elenco recheado de muitas figuras conhecidas.

A Passarola fez-lhe duas perguntas a propósito – e Lita não se acanhou.

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– Lita, como é fazer cinema na Figueira da Foz, em 2025?
– Apesar da nossa cidade, em termos de location, cenários e fotografia, ser das mais ricas do país, como podemos facilmente comprovar pela quantidade de telenovelas que nos procuram, o facto é que fazer cinema é quase nulo! Em 2025, tenho conhecimento que só eu e o Miguel Babo nos encontramos a produzir e a realizar 2 longas-metragens, ambos utilizando a Timelapse-Media como direção técnica: é parco para uma cidade ímpar como a nossa! Do meu lado, para além de contar com o apoio da Câmara Municipal da Figueira da Foz, da Reitoria da Universidade de Coimbra, de algumas empresas do concelho e, claro, do apoio e sensibilidade dos artistas que comigo trabalham, seria quase impensável atrever-me a produzir o que fosse na área.
Para que conste e se compreenda o estado do cinema em Portugal, quando tentei recorrer ao ICA para obter apoio financeiro para realizar o filme “Viriato”, filme este que foi o 14º filme mais visto nos cinemas em 2019 e que consta na programação das nossas televisões e na Prime Video, falhei redondamente neste pedido de apoio mas, note-se,… o ICA ainda ficou com 7.5% das minhas receitas brutas! Resta-me a consolação de poder ajudar o ICA a ajudar outras produções!

O que é o filme “Dom”, que será exibido no EnCantar pela Paz no dia 20 de Setembro?
– “Dom” é um drama inquietante sobre dons invisíveis, laços que salvam e assombrações que não se esquecem Após um trágico acidente, João acorda de um coma prolongado com algo que não sabe identificar – um dom que se manifesta discretamente no convívio com os outros utentes de um centro de reabilitação.
Cada história partilhada, cada silêncio, ajuda-o a perceber que vê o mundo de forma diferente. Ao sair, é acolhido pelo avô, um homem sonhador com desejos antigos por cumprir. Mas enquanto tenta reconstruir a vida, João é envolvido por uma ameaça invisível que se aproxima, passo a passo.