Vem aí o João César Monteiro (todo)

Para bem saudar a beleza do mundo

O ideal é chegar ao plateau com a frescura de uma rosa
e a agilidade de um caçador perante a presa.
Para bem saudar a beleza do mundo.”
João César Monteiro

A obra completa do único génio que a Figueira deu ao mundo, que a idolátrica Nova Iorque exibiu com muita pompa e cagança no Museu de Arte Moderna (MoMA) em Novembro, passeará em Janeiro o seu esplendor, em cópias digitais restauradas pela Cinemateca Portuguesa, pelos cinemas de Portugal.

Segundo a Medeia, de Paulo Branco, “é o momento de uma nova geração descobrir esta obra «incandescente» e «desmedidamente genial», como escreveu João Bénard da Costa: irónica, incisiva, sempre a morder-nos os calcanhares.”

“Uma obra extraordinária, ferozmente livre, de coragem artística ímpar, de um cineasta singular e iconoclasta que marcou de forma decisiva a arte portuguesa do último meio século.”

“Um cinema onde o sagrado e o profano convivem no mesmo plano, sem pedir licença à moral estabelecida, atravessado por um fantasma maior: o da liberdade.”

A coisa acontece a partir de 8 de Janeiro e prolonga-se até Fevereiro, o mês em que João César nasceu e em que viria também a morrer, um dia depois de completar 64 anos.

“Parafraseando Manuel Gusmão, poeta e amigo de César, voltemos a estes filmes com a certeza de que nos trarão a incorruptível alegria de uma «inóspita beleza»”: nos cinemas Medeia em Lisboa, no Porto, em Setúbal, em Coimbra e, segundo nota da Medeia, pode ser que também chegue à Figueira.

– Onde na Figueira? – Ora, no sítio do costume (se entretanto não houver ordens superiores em contrário): no piqueno auditório do CAE que até foi homenageado com o seu nome e tudo, João César Monteiro – o único local na terra infeliz que também foi a dele onde ainda é possível – de vez em quando, às sextas-feiras – a “incorruptível alegria” de ver a “inóspita beleza” do grande cinema.