Decorreu 19-09-2025 a primeira sessão de cinema do EnCantar pela Paz com quatro curtas de Luís Margalhau, com presença do próprio. A sequência de filmes serviu como uma retrospectiva do seu percurso de realizador, desde o início muito influenciado pelo estilo das reportagens televisivas até a um dos seus últimos filmes, de 2022, já com uma abordagem mais cinematográfica, equipamento mais sofisticado, e mais apoios – que fez questão de dizer que em Portugal de forma geral continuam a ser poucos. O fio condutor entre os quatro filmes exibidos foi-se revelando: a arte como algo transformador, que faz ver o mundo de forma diferente; a importância do financiamento de projectos que levem formas novas de ver a própria arte a pessoas de todas as idades, desde crianças que crescerão com mentes mais abertas a idosos que ganharão uma nova vida; e o papel destes projectos no fortalecimento da ligação das pessoas à natureza. No fundo, a arte como ligação entre nós e o espaço onde vivemos, algo claro no trabalho de Luís Margalhau desde o seu primeiro documentário
sobre os pescadores do Baixo Mondego. No debate depois da sessão, à maneira dos do antigo festival de cinema da Figueira, falou-se das alterações que têm sofrido os campos de arroz em Maiorca, dos poucos apoios estatais que há para o cinema documental, da infeliz centralização da cultura em Portugal, e da opção de Margalhau pelo documentário em vez do seu parente mais popular, a ficção. Ele afirmou que sempre foi neste género que quis trabalhar, para reagir ao que a realidade lhe dá e dar isso a conhecer ao público. Nas suas palavras, “toda a gente no mundo tem algo a dizer, o que é preciso é chegarmos lá.” Podem ver mais sobre a filmografia de Luís Margalhau, inclusive alguns filmes disponíveis na íntegra, no seu canal do YouTube @MargasFilmes.
Fotos de Luís Brandão.







