No dia 21-09-2025 à noite Odezanovedejunho assinalou o Dia Internacional da Paz, não com uma celebração mas com uma chamada de atenção para as razões pelas quais a ONU instituiu esse dia em 1981, que tantos anos depois permanecem actuais. A noite foi iniciada com um discurso – que será em breve publicado na Passarola – em que afirmámos a nossa posição e o mote do EnCantar pela Paz: contra as guerras que deflagram neste momento pelo mundo e os interesses imperialistas e economicistas que as animam. Seguiu-se o primeiro espectáculo do programa, o poema dramático “A Gota de Mel” de Léon Chancerel, encenado e interpretado pelo actor Vítor Filipe com acompanhamento musical de Pedro Abreu e videográfico de David Fadul. No poema, uma pequena gota de mel caída no chão provoca conflitos em catadupa até uma guerra que extermina toda a população excepto dois soldados, que terminam frente a
frente, ordenados a matar-se um ao outro sem saber já porquê.
Passando para um tom diferente, e querendo Odezanovedejunho destacar a guerra mais desigual e unilateralmente sanguinária que decorre nos dias de hoje e há já várias décadas, foi exibido o filme No Other Land, o documentário vencedor de um Oscar que mostra o tratamento desumano dos palestinianos da Cisjordânia por Israel já antes do 7 de Outubro. Por mera coincidência, esta sessão acabou por acontecer no preciso dia em que Portugal finalmente reconheceu o Estado da Palestina, servindo o filme de lembrança que a luta contra a ocupação não termina no reconhecimento de um estado mas sim na exigência de um cessar-fogo e de um fim ao extermínio de um povo que, como se vê em No Other Land, tem raízes numa terra ancestral que Israel
está determinado a arrancar.
Do silêncio pesado e escuro da sala após o final do filme surgiram marchando os membros do Colectivo Poético D’Odezanovedejunho para o poema que concluiu a noite, “Mais Guerras, Não”, de Alberto Uva. A encenação minimalista, mais uma vez de Vítor Filipe, mostrou os horrores da guerra e terminou com uma enumeração em panos ensanguentados das zonas de guerra activas pelo mundo neste momento: Gaza, Síria, Myanmar, Ucrânia, Sudão, e a lista continua. E irá continuar enquanto existirem os interesses por detrás de todos estes conflitos. Da parte d’Odezanovedejunho dizemos: não, meus senhores. Mais guerras, não!
Fotos de Luís Brandão.












