{"id":1144,"date":"2025-05-11T09:37:58","date_gmt":"2025-05-11T09:37:58","guid":{"rendered":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1144"},"modified":"2025-05-14T09:13:40","modified_gmt":"2025-05-14T09:13:40","slug":"um-culto-da-ignorancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1144","title":{"rendered":"Um culto da ignor\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>por <strong>Isaac Asimov<\/strong><br>tradu\u00e7\u00e3o e notas por <strong>Carolina Campos<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Vivemos num pa\u00eds onde as pessoas, regra geral, n\u00e3o l\u00eaem. Not\u00edcias, fic\u00e7\u00e3o, poesia, seja o que for. A publica\u00e7\u00e3o com maior tiragem em Portugal \u00e9 o <em>Correio da Manh\u00e3<\/em> e n\u00e3o chega aos 40 mil exemplares impressos \u2013 e as outras com tiragens acima de 20 mil s\u00e3o o <em>Expresso<\/em>, a <em>Maria<\/em>, a <em>TV 7 Dias<\/em>, a <em>Nova Gente<\/em> e a <em>TV Guia<\/em>. Raul Minh\u2019alma \u00e9 o maior sucesso de vendas de livros no pa\u00eds e gaba-se de j\u00e1 ter vendido 600 mil exemplares no total de toda a sua obra. Pedro Freitas, de nome art\u00edstico Poeta da Cidade, come\u00e7ou a ser referido como um fen\u00f3meno da poesia nacional depois de 1,600 exemplares vendidos. Poder-se-ia dizer muito para l\u00e1 dos n\u00fameros, mas s\u00f3 pelos n\u00fameros, num pa\u00eds com quase 11 milh\u00f5es de pessoas, o caso est\u00e1 cr\u00edtico.<br>Os resultados est\u00e3o \u00e0 vista. Mesmo na era da internet (que \u00e9 ainda mais para a frente que as eras da r\u00e1dio e da televis\u00e3o), o quanto se l\u00ea continua a ser um bom bar\u00f3metro do quanto se aprende, e do qu\u00e3o aberto se est\u00e1 para o que \u00e9 novo ou diferente. E o sucesso das not\u00edcias falsas e demagogices que v\u00e3o singrando cada vez mais \u00e9 sinal de que se aprende muito pouco e se anda muito fechado. Algo tem de ser feito.<br>Este \u00e9 o presente em que vivemos. Surgem portanto duas quest\u00f5es. Como \u00e9 que cheg\u00e1mos a este ponto? E que futuro cria uma sociedade que n\u00e3o l\u00ea? Para propor respostas e lan\u00e7ar ideias sobre o que fazer em rela\u00e7\u00e3o a tudo isto, trazemos uma tradu\u00e7\u00e3o de um artigo do escritor e cientista americano Isaac Asimov (1920-1992), publicado na revista <em>Newsweek<\/em> em 1980. O que ele observou, sentindo-se preso entre uma popula\u00e7\u00e3o geral que n\u00e3o queria aprender e uma comunidade acad\u00e9mica politicamente conservadora que se achava acima de ensinar, conserva uma actualidade alarmante 45 anos depois, e aplica-se \u00e0 situa\u00e7\u00e3o em que Portugal se encontra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-large-font-size\"><strong>Um culto da ignor\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 dif\u00edcil argumentar contra aquela antiga justifica\u00e7\u00e3o da imprensa livre: &#8220;O direito da Am\u00e9rica a saber.&#8221; Parece quase cruel perguntar, ingenuamente, &#8220;O direito da Am\u00e9rica a saber o qu\u00ea, por favor? Ci\u00eancia? Matem\u00e1tica? Economia? L\u00ednguas estrangeiras?&#8221;<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nenhuma dessas coisas, claro. Na verdade, poder-se-ia sup\u00f4r que o sentimento geral \u00e9 que os americanos est\u00e3o muito melhor sem essas tretas.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1 um culto da ignor\u00e2ncia nos Estados Unidos, e sempre houve. A press\u00e3o do anti-intelectualismo tem sido uma linha constante a serpentear pela nossa vida pol\u00edtica e cultural, alimentada pela falsa no\u00e7\u00e3o de que a democracia significa que &#8220;a minha ignor\u00e2ncia \u00e9 t\u00e3o boa como o teu conhecimento.&#8221;<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pol\u00edticos t\u00eam-se frequentemente esfor\u00e7ado para falar a l\u00edngua de Shakespeare e Milton t\u00e3o agramaticalmente quanto poss\u00edvel de forma a evitar ofender o seu p\u00fablico ao parecer que andaram na escola. Assim, Adlai Stevenson<sup>1<\/sup>, que descuidadamente permitiu que intelig\u00eancia e aprendizagem e sagacidade se revelassem nos seus discursos, viu o povo americano dirigir-se em debandada para um candidato presidencial que inventou uma vers\u00e3o da l\u00edngua inglesa que era s\u00f3 dele e que tem sido o desespero de sat\u00edricos desde ent\u00e3o.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 George Wallace<sup>2<\/sup>, nos seus discursos, tinha, como um dos seus alvos principais, o &#8220;professor de cabe\u00e7a pontiaguda&#8221;, e com que furor de aprova\u00e7\u00e3o essa express\u00e3o era sempre recebida pela sua audi\u00eancia de cabe\u00e7as pontiagudas.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>PALAVRAS SONANTES:<\/strong> Agora temos um novo <em>slogan<\/em> da parte dos obscurantistas: &#8220;N\u00e3o confiem nos peritos!&#8221; H\u00e1 dez anos, era &#8220;N\u00e3o confiem em ningu\u00e9m com mais de 30 anos.&#8221; Mas os que gritavam esse <em>slogan<\/em> descobriram que a inevit\u00e1vel alquimia do calend\u00e1rio os tinha convertido no ar suspeito dos que t\u00eam mais de 30 anos, e, aparentemente, decidiram nunca mais cometer esse erro. &#8220;N\u00e3o confiem nos peritos!&#8221; \u00e9 absolutamente seguro. Nada, nem a passagem do tempo nem a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, alguma vez ir\u00e1 converter os que gritam isto em peritos em qualquer assunto que possa concebivelmente ser \u00fatil.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Temos uma nova palavra sonante, tamb\u00e9m, para qualquer pessoa que admire a compet\u00eancia, o conhecimento, a sabedoria, a aprendizagem e a capacidade, e que deseje difundi-los. Pessoas assim s\u00e3o chamadas &#8220;elitistas&#8221;. Esse \u00e9 o termo mais engra\u00e7ado alguma vez inventado porque pessoas que n\u00e3o s\u00e3o membros da elite intelectual n\u00e3o sabem o que \u00e9 um &#8220;elitista&#8221;, nem como pronunciar a palavra. Mal algu\u00e9m grita &#8220;elitista&#8221;, torna-se claro que ele ou ela \u00e9 um elitista no arm\u00e1rio que se sente culpado por ter andado na escola.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pois bem, ent\u00e3o, esque\u00e7am a minha pergunta ing\u00e9nua. O direito da Am\u00e9rica a saber n\u00e3o inclui conhecimento de assuntos elitistas. O direito da Am\u00e9rica a saber envolve algo que se pode expressar vagamente como &#8220;o que se passa&#8221;. A Am\u00e9rica tem o direito a saber &#8220;o que se passa&#8221; nos tribunais, no Congresso, na Casa Branca, nos conselhos industriais, nas ag\u00eancias de regula\u00e7\u00e3o, nos sindicatos laborais &#8211; nas cadeiras do poder, geralmente.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Muito bem, eu sou por isso, tamb\u00e9m. Mas como vamos fazer com que as pessoas saibam tudo isso?\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Garantam-nos uma imprensa livre, e um grupo de rep\u00f3rteres de investiga\u00e7\u00e3o independentes e destemidos, surge um clamor, e podemos ter a certeza que as pessoas saber\u00e3o.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sim, <em>presumindo que sabem ler!<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em>Ora o que temos perante n\u00f3s \u00e9 que ler \u00e9 um daqueles assuntos elitistas de que tenho estado a falar, e o p\u00fablico americano, grosso modo, na sua desconfian\u00e7a de peritos e no seu desprezo por professores de cabe\u00e7a pontiaguda, n\u00e3o sabe ler e n\u00e3o l\u00ea.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sejamos claros, o americano m\u00e9dio sabe assinar o seu nome de forma mais ou menos leg\u00edvel, e consegue entender as manchetes de desporto &#8211; mas quantos americanos conseguem, sem dificuldade, ler at\u00e9 mil palavras consecutivas em letra pequena, algumas delas trissil\u00e1bicas?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ainda para mais, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a piorar. As pontua\u00e7\u00f5es de leitura nas escolas est\u00e3o em decl\u00ednio. Os sinais da autoestrada, que costumavam representar li\u00e7\u00f5es elementares de m\u00e1 leitura (&#8220;<em>Go slo<\/em>&#8221; [em vez de &#8220;<em>go slow<\/em>&#8220;], &#8220;<em>Xroad<\/em>&#8221; [em vez de &#8220;<em>crossroad<\/em>&#8220;]) est\u00e3o consistentemente a ser substitu\u00eddos por pequenas imagens que os tornam internacionalmente leg\u00edveis e incidentalmente ajudam aqueles que sabem conduzir um carro mas, por n\u00e3o serem professores de cabe\u00e7a pontiaguda, n\u00e3o sabem ler.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m em an\u00fancios televisivos h\u00e1 frequentemente mensagens impressas. Bem, mantenham os olhos nelas e ver\u00e3o que nenhum publicit\u00e1rio acredita que qualquer pessoa para al\u00e9m do ocasional elitista consiga ler aquilo. Para se assegurarem de que mais do que essa minoria capta a mensagem, todas as palavras s\u00e3o ditas em voz alta.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>ESFOR\u00c7O HONESTO:<\/strong> Se \u00e9 assim, ent\u00e3o como t\u00eam os americanos o direito a saber? \u00c9 certo que h\u00e1 certas publica\u00e7\u00f5es que fazem um esfor\u00e7o honesto para levar ao p\u00fablico o que este deveria saber, mas perguntem-se quantos efectivamente as l\u00eaem.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1 200 milh\u00f5es de americanos que a certa altura das suas vidas j\u00e1 habitaram salas de aula e que admitir\u00e3o que sabem ler (presumindo que lhes prometem n\u00e3o usar os seus nomes e envergonh\u00e1-los perante os seus vizinhos), mas a maioria dos peri\u00f3dicos decentes cr\u00ea ter uma presta\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica quando t\u00eam tiragens de meio milh\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel que apenas 1% &#8211; ou menos &#8211; dos americanos tente exercitar o seu direito a saber. E se tentarem fazer seja o que for com base nisso muito provavelmente ser\u00e3o acusados de serem elitistas.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu proponho que o <em>slogan<\/em> &#8220;O direito da Am\u00e9rica a saber&#8221; n\u00e3o tem qualquer significado quando temos uma popula\u00e7\u00e3o ignorante, e que a fun\u00e7\u00e3o de uma imprensa livre \u00e9 virtualmente zero quando quase ningu\u00e9m sabe ler.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O que podemos fazer em rela\u00e7\u00e3o a isto?<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Podemos come\u00e7ar por nos perguntarmos se a ignor\u00e2ncia \u00e9 afinal t\u00e3o maravilhosa, e se faz sentido denunciar &#8220;elitismo&#8221;.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eu acredito que todo o ser humano com um c\u00e9rebro fisicamente normal pode aprender bastante e ser surpreendentemente intelectual. Eu acredito que aquilo de que precisamos desesperadamente \u00e9 aprova\u00e7\u00e3o social da aprendizagem e recompensas sociais por aprender.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Podemos todos ser membros da elite intelectual e ent\u00e3o, e s\u00f3 ent\u00e3o, poder\u00e1 uma frase como &#8220;O direito da Am\u00e9rica a saber&#8221; e, de facto, qualquer verdadeiro conceito de democracia, ter algum significado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>21 de Janeiro de 1980, <\/em>in <em>Newsweek<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><sup>1<\/sup>Adlai Stevenson \u2013 Pol\u00edtico democrata que se candidatou duas vezes \u00e0 presid\u00eancia dos EUA, e perdeu ambas as vezes para Dwight D. Eisenhower<br><sup>2<\/sup>George Wallace \u2013 Governador do Alabama que come\u00e7ou a obter sucesso em elei\u00e7\u00f5es nos anos de 1960 depois de se tornar mais radical em quest\u00f5es raciais, e chegou a proclamar \u201csegrega\u00e7\u00e3o agora, segrega\u00e7\u00e3o amanh\u00e3, segrega\u00e7\u00e3o para sempre.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Vemos ent\u00e3o que entre os EUA que Asimov via em 1980 e a vida por c\u00e1, muito est\u00e1 na mesma, e se calhar sempre esteve. A boa not\u00edcia \u00e9 que cada um de n\u00f3s pode ajudar a contrariar esta tend\u00eancia, para uma sociedade melhor em que se valoriza a aprendizagem individualmente desde crian\u00e7a e se colhe os frutos disso colectivamente toda a vida, e para evitar que os nossos George Wallaces cheguem ao poder. A vit\u00f3ria do anti-intelectualismo e das posi\u00e7\u00f5es anti-ci\u00eancia \u2013 por parecer demasiado complicada, por parecer uma seca, porque o lado oposto ao cient\u00edfico explica tudo de forma mais simples (e mais alarmista), porque d\u00e1 menos preocupa\u00e7\u00f5es abstractas \u2013 a vit\u00f3ria da pregui\u00e7a intelectual e das suas consequ\u00eancias desastrosas est\u00e1 j\u00e1 \u00e0 vista. J\u00e1 \u00e9 preciso arrancar-lhe essa vit\u00f3ria das m\u00e3os, mas ainda n\u00e3o \u00e9 demasiado tarde. <br>Como disse uma vez o actor Ethan Hawke, \u201c<em>Eu aconselho sempre os jovens a serem pretensiosos. Porque se o fizeres com sentido de humor, \u00e9 sinal de que tens aspira\u00e7\u00f5es. Temos de definir objectivos, mais vale serem ambiciosos<\/em>.\u201d E como disse Antonio Gramsci, \u201c<em>Agitem-se, porque precisamos de todo o vosso entusiasmo. Organizem-se, porque precisamos de toda a vossa for\u00e7a. Estudem, porque precisamos de toda a vossa intelig\u00eancia<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Ilustra\u00e7\u00e3o: <em>A Par\u00e1bola dos Cegos<\/em>, de Pieter Bruegel o Velho (1568)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Isaac Asimovtradu\u00e7\u00e3o e notas por Carolina Campos Vivemos num pa\u00eds onde as pessoas, regra geral, n\u00e3o l\u00eaem. Not\u00edcias, fic\u00e7\u00e3o, poesia, seja o que for. 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