{"id":1209,"date":"2025-06-10T08:26:53","date_gmt":"2025-06-10T08:26:53","guid":{"rendered":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1209"},"modified":"2025-06-10T08:35:45","modified_gmt":"2025-06-10T08:35:45","slug":"150-anos-do-ze-povinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1209","title":{"rendered":"150 anos do Z\u00e9 Povinho"},"content":{"rendered":"\n<p><em>por <strong>Fernando Campos<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Z\u00e9 Povinho<\/strong> faz este ano, por estes dias, 150 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nasceu do g\u00e9nio e do l\u00e1pis litogr\u00e1fico de Rafael Bordalo Pinheiro no dia 12 de Junho de 1875, nas p\u00e1ginas de &#8220;<em>A Lanterna M\u00e1gica&#8221;,<\/em> a publica\u00e7\u00e3o cr\u00edtico-sat\u00edrica que Bordalo dirigiu com Guilherme de Azevedo e Guerra Junqueiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Nasceu<em> \u201cesperto e matreiro, sem moral nenhuma; se pudesse trepava para as costas dos que o cavalam a ele. N\u00e3o gosta de trabalhar (tem c\u00f3licas \u00e0s segundas-feiras) e prefere resignar-se do que combater. O manguito \u00e9 o seu gesto filos\u00f3fico perante os desacertos do mundo\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;<\/em><em><strong>O Z\u00e9 Povinho olha para um lado e para o outro e\u2026 fica como sempre\u2026 na mesma<\/strong><\/em><em>\u201d, disse dele o seu autor.<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"617\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Figura-15-Rafael-Bordalo-Pinheiro-Ze-Povinho-Album-das-Glorias-617x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1211\" style=\"width:387px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Figura-15-Rafael-Bordalo-Pinheiro-Ze-Povinho-Album-das-Glorias-617x1024.jpg 617w, https:\/\/odezanovedejunho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Figura-15-Rafael-Bordalo-Pinheiro-Ze-Povinho-Album-das-Glorias-181x300.jpg 181w, https:\/\/odezanovedejunho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Figura-15-Rafael-Bordalo-Pinheiro-Ze-Povinho-Album-das-Glorias-768x1274.jpg 768w, https:\/\/odezanovedejunho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Figura-15-Rafael-Bordalo-Pinheiro-Ze-Povinho-Album-das-Glorias-651x1080.jpg 651w, https:\/\/odezanovedejunho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Figura-15-Rafael-Bordalo-Pinheiro-Ze-Povinho-Album-das-Glorias.jpg 846w\" sizes=\"(max-width: 617px) 100vw, 617px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>E assim continua, passados que s\u00e3o 150 anos. Na mesma. N\u00e3o ata nem desata; n\u00e3o envelhece nem se desfigura; est\u00e1 <em>cada vez mais igual a si pr\u00f3prio. Como referiu Ramalho Ortig\u00e3o, na legenda do seu retrato no <\/em><em>\u00c1lbum de Gl\u00f3rias, <\/em><em>\u201c<strong>Um dia vir\u00e1 talvez em que ele mude de figura e mude tamb\u00e9m de nome para, em vez de se chamar Z\u00e9 Povinho, se chamar simplesmente Povo. Mas muitos impostos novos, novos empr\u00e9stimos, novos tratados e novos discursos correr\u00e3o na ampulheta constitucional do tempo antes que chegue esse dia tempestuoso<\/strong>\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mas como <em>amanh\u00e3 n\u00e3o ser\u00e1 ainda a v\u00e9spera desse dia,<\/em> o que nasceu como caricatura grotesca e pouco lisonjeira cristalizou, <em>sem mudar de figura<\/em>, num \u00edcone <em>naturalizado<\/em> pela posteridade. E o <strong><a href=\"https:\/\/museubordalopinheiro.pt\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/museubordalopinheiro.pt\/\">Museu Rafael Bordalo Pinheiro<\/a><\/strong> de Lisboa est\u00e1 a preparar uma exposi\u00e7\u00e3o, que inaugurar\u00e1 este ano, onde figurar\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 os Z\u00e9 Povinhos de Bordalo, mas todos os outros Z\u00e9s que se seguiram &#8211; desde o Z\u00e9<em> &#8220;Queres Fiado, Toma!&#8221;<\/em> de todas as tascas, aos Z\u00e9s de muitos outros cartunistas e autores; e at\u00e9 est\u00e1 a pedir a quem possua desenhos ou outras representa\u00e7\u00f5es pouco comuns do Z\u00e9 que lhas fa\u00e7a chegar.<\/p>\n\n\n\n<p>E, no entanto, de entre todas as cria\u00e7\u00f5es magistrais do grande Bordalo, o <strong>Z\u00e9 Povinho<\/strong> seria decerto aquela que o pr\u00f3prio autor n\u00e3o se importaria nadinha que tivesse ficado mais datada, mais circunscrita ao seu tempo e circunst\u00e2ncia, mais ultrapassada pela voragem da hist\u00f3ria e pela natural evolu\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong><u>Passarola<\/u><\/strong> junta-se, como \u00e9 \u00f3bvio, \u00e0s comemora\u00e7\u00f5es deste&nbsp; anivers\u00e1rio, mas celebra sobretudo o g\u00e9nio do seu criador: o \u00fanico artista conhecido que enquanto desenhava sem d\u00f3 nem piedade todos os pol\u00edticos e potentados do seu tempo em todas as posi\u00e7\u00f5es ris\u00edveis imagin\u00e1rias tamb\u00e9m fez &#8211; do mesmo modo inflex\u00edvel, corajoso e desassombrado &#8211; um retrato t\u00e3o fiel e <em>bem-acabado<\/em> do seu pr\u00f3prio povo que continua, passados 150 anos, t\u00e3o estranha e definitivamente igual a si mesmo que o pr\u00f3prio n\u00e3o s\u00f3 ainda se rev\u00ea nele &#8211; no mesmo transe hipn\u00f3tico de <em>espertice<\/em> apatetada que \u00e9 a sua atitude filos\u00f3fica perante os desacertos do mundo \u2013 como o reivindica <em>alegremente<\/em> com entranhada e visceral <em>identifica\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>O retrato do Z\u00e9 \u00e9, naturalmente, da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro e \u00e9 o&nbsp; n\u00ba32 do seu \u201c\u00c1lbum de Gl\u00f3rias\u201d, publicado em Setembro de 1882.<\/em><br><em>O retrato do grande Bordalo \u00e9 um desenho de Fernando Campos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Fernando Campos O Z\u00e9 Povinho faz este ano, por estes dias, 150 anos. 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