{"id":1236,"date":"2025-06-23T10:17:50","date_gmt":"2025-06-23T10:17:50","guid":{"rendered":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1236"},"modified":"2025-06-23T11:43:57","modified_gmt":"2025-06-23T11:43:57","slug":"um-documentario-figueira-da-foz-rainha-das-praias-portuguezas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1236","title":{"rendered":"Um Document\u00e1rio: Figueira da Foz \u2013 Rainha das Praias Portuguezas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Quem j\u00e1 foi ao Quartel da Imagem ter\u00e1 visto uma exposi\u00e7\u00e3o dedicada a Manuel Santos, \u201cUm fot\u00f3grafo amador\u201d. Nascido na Figueira em 1893, foi um grande promotor do turismo atrav\u00e9s da fotografia e do cinema. A 22 de Janeiro de 1930 estreou, numa sess\u00e3o no Casino Peninsular, o seu document\u00e1rio \u201cFigueira da Foz, Rainha das Praias Portuguesas\u201d, que divulgamos hoje gra\u00e7as \u00e0 sua digitaliza\u00e7\u00e3o pela Cinemateca Portuguesa, que <a href=\"http:\/\/www.cinemateca.pt\/cinemateca-digital\/Ficha.aspx?obraid=9606&amp;type=Video\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/www.cinemateca.pt\/cinemateca-digital\/Ficha.aspx?obraid=9606&amp;type=Video\">disponibiliza o filme completo aqui<\/a> (para ver o v\u00eddeo, confirmar se a barra de endere\u00e7o diz \u201chttp\u201d e n\u00e3o \u201chttps\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Mas a Figueira n\u00e3o tem s\u00f3 hist\u00f3ria de cinema, tem tamb\u00e9m hist\u00f3ria de cr\u00edtica de cinema. Em 1930 estava activa a publica\u00e7\u00e3o figueirense Jornal de Cinema, que se gabava no cabe\u00e7alho de ter \u201c<em>a maior tiragem dos jornais portuguezes da especialidade<\/em>\u201d. Com muito af\u00e3 para promover um document\u00e1rio sobre a sua terra, \u201c<em>realisado para apregoar por toda a parte, com voz altisonante e l\u00edmpida, as maravilhas naturais da terra que nos serviu de ber\u00e7o<\/em>\u201d, fizeram um panfleto sobre o filme que distribu\u00edram gratuitamente no Parque Cine. Se alguma coisa se pode dizer sobre estes cin\u00e9filos e cr\u00edticos, \u00e9 que eram honestos, e inclu\u00edram alguns coment\u00e1rios ligeiramente negativos. Talvez por esta honestidade, o Jornal tinha, ou pelo menos na sua 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o dizia ter, inimigos que \u201c<em>n\u00e3o olham a meios. Tudo lhes serve. Procuram afanosamente cair sobre n\u00f3s e reduzir-nos a p\u00f3, cinza e nada\u2026 E como viram que nada conseguem de cara a cara, v\u00e1 de tentar ferir pelas costas, a horas mortas da noite\u2026<\/em>\u201d Queixavam-se destes inimigos em v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es do Jornal, dizendo que tinham por h\u00e1bito lan\u00e7ar rumores. Desta vez, atacaram o folhetim de promo\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio: \u201c<em>como n\u00e3o tinham outra t\u00e1boa a que se agarrar, trataram imediatamente de espalhar que essa cr\u00edtica n\u00e3o tinha sido escrita pelos Directores deste Jornal. Foram eles, talvez, os sabich\u00f5es\u2026<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Quem eram estes inimigos \u00e9 um mist\u00e9rio que ao que parece nunca chegou a ser resolvido. Seja como for, dois dias depois, o pr\u00f3prio Manuel Santos enviou uma carta a responder aos coment\u00e1rios negativos do Jornal de Cinema, dando justifica\u00e7\u00f5es para tudo, e com isso deu-nos o melhor acompanhamento que se poderia querer para um filme j\u00e1 com 95 anos: cr\u00edtica e resposta \u00e0 cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Seguem ent\u00e3o abaixo as transcri\u00e7\u00f5es, come\u00e7ando pelo panfleto que, segundo os seus autores, \u201c[mostra] <em>a quantos nos l\u00eaem, que JORNAL DE CINEMA, pequenino, sabe tamb\u00e9m impor-se como os grandes, e trabalha, pela causa que defende, com denodo e desinteresse.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Figueira da Foz \u2013 cidade moderna, arejada e s\u00e1dia, important\u00edssimo centro de turismo, a melhor, a mais bela e a mais concorrida das praias da Peninsula, classificada como Rainha das Praias de Portugal no \u201ccertame\u201d publico organisado pelo Jornal \u201cA Tarde\u201d \u2013 parecia n\u00e3o existir para os operadores cinematogr\u00e1ficos do nosso Pa\u00eds, que teem gasto muitos metros de pel\u00edcula em assuntos de somenos importancia.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Qualquer cidade, vila ou aldeia, por mais pequena e insignificante que f\u00f4sse a sua industria ou com\u00e9rcio, qualquer praia, &#8211; Ericeira, Espinho, Cascais, Carcavelos, etc, &#8211; tinha um document\u00e1rio a correr pelas nossas telas.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; S\u00f3 a Figueira vivia no esquecimento!&#8230;<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; S\u00f3 a Figueira, <em>A Rainha das Praias Portuguesas<\/em>, n\u00e3o tinha as suas incomparaveis belezas, registas numa pelicula que, passando pelos Cinemas, n\u00e3o s\u00f3 nacionais como estrangeiros, mostrasse o que ela \u00e9 de facto.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foi preciso que o Sr. Manuel Santos, figueirense Amigo da sua terra, viesse do Brasil disposto a fazer o que de h\u00e1 muito devia estar feito.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E a sua compet\u00eancia, aliada \u00e1 grande vontade, conseguiu tornar em realidade, o que \u00e1 maioria dos figueirenses se afigurava de imposs\u00edvel.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O seu film, ontem apresentado no Peninsular em sess\u00e3o particular, a que assistiram s\u00f3mente os representantes da Imprensa e alguns convidados, \u00e9 prova evidente do seu saber.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para o Sr. Manuel Santos v\u00e3o os nossos parab\u00e9ns pela sua obra, e sinceros agradecimentos pelo convite que nos enviou para assistirmos \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que \u00e9 o Film:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Film \u00e9 iniciado com a apresenta\u00e7\u00e3o dum <em>gr\u00e1fico Peninsular<\/em>, apontando a Figueira e os mais importantes centros do Pa\u00eds visinho, que costumam dar grande n\u00famero de frequentadores \u00e0 nossa Praia.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo em seguida, e como primeiro quadro vivo, \u00e9-nos mostrada a <em>Avenida Saraiva de Carvalho<\/em>, vista a todo o seu comprimento. Passa depois deante dos nossos olhos a <em>Pra\u00e7a 8 de Maio<\/em>, dominada pelo monumento venerando que representa a figura do grande figueirense Manuel Fernandes Tomaz.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E, precedidos de r\u00e1pidas legendas, alguns <em>aspectos do Cais e Trechos da Doca <\/em>\u00e1 hora da faina mar\u00edtima, e o <em>Monumento aos Mortos da Grande Guerra.<\/em><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As Festas de S. Jo\u00e3o, que o ano passado decorreram com desusado brilhantismo, n\u00e3o ficaram alheias ao film. <em>As Cavalhadas<\/em>, em que tomaram parte carros aleg\u00f3ricos do Gin\u00e1sio, da Associa\u00e7\u00e3o Comercial, da Beira Alta, etc., <em>a Ben\u00e7\u00e3o do mar e do povo<\/em>, pelo senhor Bispo Coadjuctor, <em>o desfile da prociss\u00e3o <\/em>atrav\u00e9s da Rua C\u00e2ndido dos Reis, possuem no film quadros de valor que bem atestam o dom\u00ednio da objectiva e o bom gosto do feliz amador.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ponto mais sens\u00edvel, o primordial motivo do document\u00e1rio passa agora, para nossa admira\u00e7\u00e3o: <em>A Praia \u00e1 hora do banho<\/em>.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o obstante a pouca concorr\u00eancia que se nota (pois a Figueira teve dias mais animados), os aspectos filmados s\u00e3o de molde a agradar plenamente. A Praia que a <em>retina <\/em>da objectiva colheu desde a enseada de Buarcos at\u00e9 ao <em>Forte de St.\u00aa Catarina<\/em>, seu t\u00e9rminus, \u00e9-nos mostrada em toda a sua magestade! O que ficou feito \u00e9 suficiente para atestar, em qualquer parte, a nossa superioridade s\u00f4bre todas as est\u00e2ncias de turismo. N\u00e3o faltam os \u201cmaillots\u201d provocantes de Biarritz, o abandono de si pr\u00f3prio, na embriaguez do prazer e da distrac\u00e7\u00e3o, da nossa Costa do Sol, nem mesmo os risos alegres e encantadores das sedutoras filhas de Espanha, ou os galanteios, que as ondas levam, dos nossos rapazes \u201cChics.\u201d<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>Pl\u00e1sticas Castelhanas, Um Bando de Gentis Figueirenses, Os Mariscos s\u00e3o Bom Aperitivo, As Lagoas das Crean\u00e7as, <\/em>s\u00e3o raz\u00e3o suficiente para sustentarmos a nossa afirmativa.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>Ondas bemfazejas<\/em>, um pouco prejudicado pelo embravecimendo de mar. Coitado! f\u00f4ra a primeira pessoa que ousara colher os seus encantos!&#8230; E por isso, modesto na sua dignidade, conquistada \u00e1 for\u00e7a de tantos anos de abandono, n\u00e3o temeu levantar-se para repelir a afronta que julg\u00e1ra receber!&#8230; Mas, se aqui quiz destruir os desejos do captor dos seus encantos, um pouco mais adeante, envergonhado da sua altivez, e onde o p\u00f4r do Sol desenha a silhueta dos rochedos, e o azul das suas \u00e1guas se transforma na alvura lactea das esc\u00famas, soube dar-lhe ensejo para aformosear o seu melhor quadro.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>Ondas s\u00f3 para vista <\/em>\u00e9 sem d\u00favida o ponto culminante que t\u00e3o tem guinda o artista-amador \u00e0 altura dos nossos melhores operadores. O quadro tem c\u00f4r e est\u00e1 magnificamente filmado. \u00c9 de longe o melhor bocadinho do \u201cfilm\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>No Tennis Club<\/em>, a <em>\u201cGinkana\u201d Infantil <\/em>tem as scenas mais interessantes.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A bela tarde de Jo\u00e3o Nuncio, com grande concorr\u00eancia de portugueses e espanhois, foi motivo para uma das boas passagens do document\u00e1rio.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A \u201cGinkana\u201d de Autom\u00f3veis no Campo da Mata, com t\u00f4das as suas perip\u00e9cias, \u00e9 agrad\u00e1vel de ver.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 pena que as scenas filmadas no Hipodromo f\u00f4ssem um pouco prejudicadas pela m\u00e1 actua\u00e7\u00e3o dos cavaleiros concorrentes!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entra-se no \u00faltimo cap\u00edtulo do film:<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>A Caminho da Serra da Boa Viagem<\/em>. Soberbamente manivelada a m\u00e1quina vai colhendo aspectos encantadores.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Muito felizes as fotografias que mostram o <em>Farol Novo do Cabo Mondego<\/em>, e a <em>Bandeira<\/em>, de onde a vista se espraia at\u00e9 se confundir na imensid\u00e3o do horizonte!<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E \u00e9 l\u00e1 do alto que a Figueira, por entre a paisagem verdejante da Serra, se mostra ent\u00e3o, muito pequenina, muito formosa, como uma rosa num c\u00easto de vi\u00e7osas flores!&#8230;<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O film termina com essa vista magestosa s\u00f3mente perturbada por uma crean\u00e7a que vem animar um quadro morto\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O film, evidentemente, est\u00e1 incompleto.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Faltam-lhe alguns quadros, que uma vez filmados, lhe dariam mais anima\u00e7\u00e3o e valor.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por exemplo: o Casino Peninsular aparece de fugida, na <em>Sa\u00edda duma \u201cMatinn\u00e9e\u201d no Casino<\/em>.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 realmente de estranhar que n\u00e3o f\u00f4ssem focadas algumas scenas nos interiores do edificio, durante as v\u00e1rias \u201cFestas\u201d que ali se realizaram.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As regatas da \u00e9poca passada, pelo brilhantismo com que decorreram e pelo elevado n\u00famero de concorrentes e espectadores, mereciam tamb\u00e9m uns metros de pelicula.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Jardim Municipal de que tanto nos orgulhamos, e que t\u00e3o frequentado \u00e9 nas quentes tardes dos dias de ver\u00e3o, especialmente \u00e1 hora dos concertos musicais, tambem n\u00e3o ficaria mal no document\u00e1rio da Figueira.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foi pena que tivesse esquecido! \u00c9 bem verdade que nem tudo pode lembrar\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Depois deste panfleto ter sido difundido, o realizador Manuel Santos enviou ao Jornal este \u201cesclarecimento\u201d, que foi publicado na edi\u00e7\u00e3o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Figueira da Foz, 24 de Janeiro de 1930<br>Senhores Redactores do \u201cJornal de Cinema\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As minhas melhores sauda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cumpre-me agradecer a edi\u00e7\u00e3o especial do <em>Jornal de Cinema<\/em>, dedicada ao meu \u201cfilm\u201d, Figueira da Foz, <em>Rainha das Praias Portuguesas<\/em>, as sensibilizadoras palavras empregadas na sua critica, que revela apreciavel conhecimento de causa e os imerecidos louvores com que VV quizeram distinguir-me.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Permitam-me agora VV. esclarecer as considera\u00e7\u00f5es finaes da vossa supra citada edi\u00e7\u00e3o especial.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; As animadas \u201cFestas\u201d que em diversas noites se realizaram no Casino Peninsular, mereciam figurar no document\u00e1rio e merec\u00earam tamb\u00e9m todo o meu des\u00eajo nesse sentido, o que comuniquei a alguns directores daquela importante casa de divers\u00f5es.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Mas, isso importaria numa instala\u00e7\u00e3o de condutores el\u00e9ctricos com capacidade apropriada \u00e1 intensidade de corrente para iluminar um conjunto de projectores voltaicos, que n\u00e3o existiam, nem soub\u00e9mos se existiria a amperagem que se requer para tal fim.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Seria quasi transformar o Casino em \u201cStudio\u201d.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Ainda n\u00e3o procurei resolver o caso com o empr\u00eago de archotes de magn\u00e9sio, mas algu\u00e9m dissuadiu-me disso por causa da irregularidade do poder iluminante do magn\u00e9sio, do que resultaria uma fotografia bruxoleante; mais um aspecto de caverna incendiada do que um sumptuoso sal\u00e3o de baile.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quanto \u00e1s \u201cFestas diurnas que tamb\u00e9m se efectuaram no Casino, dentre as quaes foram bem interessantes as \u201ctoiradas\u201d infantis, o actinometro mostrou me que n\u00e3o existia luz suficiente para permitir cinematografias \u00e1 velocidade normal; poderia t\u00ear filmado algumas scenas a dois ter\u00e7os ou a meia velocidade, mas o seu aspecto no \u201c\u00e9cran\u201d seria grotesco, pelo deslocamento brusco e c\u00f2mico dos figurantes.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Preferi portanto n\u00e3o o fazer.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; A ausencia no meu \u201cfilm\u201d das ultimas grandes regatas que tanto honraram o vasto estu\u00e1rio do Mondego, constitue para mim grande desgosto: n\u00e3o foi poss\u00edvel regist\u00e1-las porque me encontrava ausente da Figueira nessa ocasi\u00e3o.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; As cinematografias no Jardim Municipal oferecem certas dificuldades de ordem tecnica e artistica, e para se mostrar condignamente no \u201c\u00e9cran\u201d as belezas do melhor jardim da Figueira, exigir-se-hia: ou uma optica especial de grande angulo, raramente usada em cinematografia pela concernente escassez de luminosidade, com a agravante da luz j\u00e1 d\u00e9bil da hora em que costumam t\u00ear lugar os concertos naquele jardim, ou ent\u00e3o um rec\u00fao de que l\u00e1 n\u00e3o se pode dispor para a obten\u00e7\u00e3o de um conjunto satisfat\u00f3rio.<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Creio ter ilucidado as considera\u00e7\u00f5es da vossa Edi\u00e7\u00e3o Especial, que muito me penhora, e apresento a VV. os protestos da minha considera\u00e7\u00e3o e elevado apre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><strong>De VV. etc.<br>Manuel Santos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E tendo todas as partes envolvidas dito de sua justi\u00e7a, s\u00f3 nos resta a n\u00f3s dizer: bom filme.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem j\u00e1 foi ao Quartel da Imagem ter\u00e1 visto uma exposi\u00e7\u00e3o dedicada a Manuel Santos, \u201cUm fot\u00f3grafo amador\u201d. Nascido na Figueira em 1893, foi um grande promotor do turismo atrav\u00e9s da fotografia e do cinema. A 22 de Janeiro de 1930 estreou, numa sess\u00e3o no Casino Peninsular, o seu document\u00e1rio \u201cFigueira da Foz, Rainha das [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1238,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"saved_in_kubio":false,"pagelayer_contact_templates":[],"_pagelayer_content":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1236","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1236"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1236\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1240,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1236\/revisions\/1240"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1238"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}