{"id":1310,"date":"2025-07-30T10:53:36","date_gmt":"2025-07-30T10:53:36","guid":{"rendered":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1310"},"modified":"2025-07-30T10:53:36","modified_gmt":"2025-07-30T10:53:36","slug":"memoria-historica-o-actor-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1310","title":{"rendered":"mem\u00f3ria hist\u00f3rica &#8211; O Actor Dias"},"content":{"rendered":"\n<p><em>por <strong>Fernando Campos<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Antes do advento da radio (e do cinema, da televis\u00e3o e da internet), as gentes do espect\u00e1culo atingiam uma celebridade t\u00e3o not\u00f3ria que eram reconhecidos pelo p\u00fablico e designados nos jornais apenas pelo apelido &#8211; como<em> o actor<\/em> Isidoro, <em>o actor<\/em> Sim\u00f5es, <em>o<\/em> <em>actor<\/em> Valle ou <em>o<\/em> <em>actor<\/em> Taborda, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ant\u00f3nio Dias Guilhermino<\/strong> era o <em>actor Dias<\/em> e foi um dos mais c\u00e9lebres actores c\u00f3micos do seu tempo. Nasceu em Maiorca em 1839 e estreou-se no Teatro Boa-Uni\u00e3o, que existia ent\u00e3o na actual Rua do Pinhal, na Figueira da Foz. Foi logo depois para o Porto, levado para o teatro profissional, e ali esteve representando por 20 anos, sempre muito aclamado pelo p\u00fablico. Em 1878 foi convidado por Sousa Bastos<strong>(1)<\/strong> para v\u00e1rias temporadas em Lisboa, onde triunfou no desempenho dos mais variados pap\u00e9is em com\u00e9dias, farsas, par\u00f3dias, revistas e operetas, percorrendo depois todas as prov\u00edncias e at\u00e9 o Brasil. O seu talento e celebridade eram tais que Camilo Castelo Branco, seu p\u00fablico admirador, adaptou para ele a com\u00e9dia em tr\u00eas actos \u201cO assassino de Mac\u00e1rio\u201d<strong>(2).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Regressado ao Porto, \u201csua terra predilecta\u201d, ali morreu, em palco como Moli\u00e8re, no Teatro do Pr\u00edncipe Real, no meio de grande consterna\u00e7\u00e3o popular, \u00e0s 17 horas da tarde de 26 de Novembro de 1893. Segundo um jornal da \u00e9poca \u201c<em>N\u00e3o se descreve o que se passou naquela plateia, a invas\u00e3o no palco de amigos e de admiradores do actor que era o rei da gra\u00e7a, o artista probo, o homem que todos veneravam pela grandeza do seu car\u00e1cter, pelos m\u00e9ritos que o consagravam um grande, entre os maiores actores do nosso tempo&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ao seu funeral assistiram os artistas de todos os teatros e numerosos amigos, \u201c<em>sendo o f\u00e9retro conduzido \u00e0 m\u00e3o pelos actores do Pr\u00edncipe Real, de sua casa \u00e0 Igreja de St\u00ba Ildefonso, onde foi cantado o responso, regendo a orquestra o maestro Tom\u00e1s del Nero. O actor foi sepultado no Cemit\u00e9rio do Prado do Repouso, na presen\u00e7a de enorme multid\u00e3o consternada e comovida, tendo sido aberta uma subscri\u00e7\u00e3o popular para \u201celevar um jazigo<strong>(3)<\/strong> ao grande artista.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O jornalista e comedi\u00f3grafo portuense Arnaldo Leite fez dele uma saborosa e eloquente evoca\u00e7\u00e3o, que podeis ler <a href=\"https:\/\/bibliotecacasadoinfante.cm-porto.pt\/sh_tripeiro\/online\/trip\/t896.pdf\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/bibliotecacasadoinfante.cm-porto.pt\/sh_tripeiro\/online\/trip\/t896.pdf\">aqui<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m do seu jazigo no Cemit\u00e9rio do Vale do Repouso, o nome do Actor Dias est\u00e1 imortalizado num largo no Porto&nbsp; e na sua terra natal, Maiorca, no local onde ainda existe a casa onde nasceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Figueira, por\u00e9m, nada existe que o evoque, nem \u00e0 sua mem\u00f3ria. O teatro onde se estreou j\u00e1 n\u00e3o existe. No seu lugar est\u00e1 um vasto complexo que pertence \u00e0 C\u00e2mara Municipal e ao qual esta visivelmente n\u00e3o sabe o que fazer. J\u00e1 foi um quartel militar, uma universidade manhosa e <em>internacional<\/em>, um <em>s\u00edtio das artes<\/em> e agora \u00e9 <em>futuras instala\u00e7\u00f5es de <\/em>qualquer coisa<em> do <\/em>Instituto de Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Profissional. No seu interior existe contudo um pequeno audit\u00f3rio que, com algumas obras, vontade pol\u00edtica e um pequeno or\u00e7amento (nada que se parecesse com o que o munic\u00edpio gasta por ano com luzinhas de natal ou corridinhas autom\u00f3veis e de bicicletas) podia ser transformado num teatro; num pequeno mas digno e belo <em>Teatro C\u00f3mico<\/em>, em homenagem ao actor Dias. At\u00e9 podia, com um pouco mais de esfor\u00e7o e imagina\u00e7\u00e3o, fazer-se um festival nacional, anual ou bi-anual, de <em>com\u00e9dia<\/em>. L\u00e1 poder, podia. Se a Figueira se prezasse e prezasse a mem\u00f3ria dos seus maiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>1) a partir de \u201cLe meurtre de Theodore\u201d, dos autores franceses Clairville, Alphonse Brot e Victor Bernard.<\/strong><br><strong>2) Escritor, dramaturgo, empres\u00e1rio teatral e <\/strong><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jornalismo\"><strong>j<\/strong><\/a><strong>ornalista, casado com a actriz Palmira Bastos<\/strong><br><strong>3) O jazigo do actor Dias \u00e9 o n\u00famero 13 entre os <em>jazigos de not\u00e1veis<\/em> assinalados na p\u00e1gina dos <em>Cemit\u00e9rios Hist\u00f3ricos do Porto<\/em> da CMP<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>O retrato de Ant\u00f3nio Dias Guilhermino \u00e9 de 1875, \u00e9 uma fotografia de Alfred Fillon e pertence ao Arquivo do Teatro Nacional D. Maria II.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Fernando Campos Antes do advento da radio (e do cinema, da televis\u00e3o e da internet), as gentes do espect\u00e1culo atingiam uma celebridade t\u00e3o not\u00f3ria que eram reconhecidos pelo p\u00fablico e designados nos jornais apenas pelo apelido &#8211; como o actor Isidoro, o actor Sim\u00f5es, o actor Valle ou o actor Taborda, por exemplo. 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