{"id":1335,"date":"2025-08-08T08:05:57","date_gmt":"2025-08-08T08:05:57","guid":{"rendered":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1335"},"modified":"2025-08-08T08:05:57","modified_gmt":"2025-08-08T08:05:57","slug":"encantar-pela-paz-antonio-duraes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1335","title":{"rendered":"EnCantar pela Paz &#8211; Ant\u00f3nio Dur\u00e3es"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">Durante todo o m\u00eas de Agosto a <strong>Passarola<\/strong> est\u00e1 a editar uma s\u00e9rie de artigos e pequenas entrevistas para dar a conhecer os artistas que participam no evento <strong>EnCantar pela Paz<\/strong> que, produzido pel&#8217;<strong><u>Odezanovedejunho<\/u><\/strong> &#8211; <em>Associa\u00e7\u00e3o de Ideias<\/em>, decorrer\u00e1 de 3 a 27 de Setembro no Audit\u00f3rio Madalena Biscaia Perdig\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>Ant\u00f3nio Dur\u00e3es e Jo\u00e3o L\u00f3io &#8211; \u201cNa Casa\u201d, como Estragon e Vladimir, \u00e0 espera de Godot<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cDuas cadeiras, duas estantes, dois corpos, duas vozes. E \u00e9 s\u00f3\u201d.<\/em> \u00c9 assim que, na sua folha de sala, \u00e9 descrito o espect\u00e1culo \u201c<strong>Na Casa<\/strong>\u201d, que Ant\u00f3nio Dur\u00e3es e Jo\u00e3o L\u00f3io trazem ao <strong>EnCantar pela Paz<\/strong> &#8211; dia 3 de Setembro \u00e0s 21.30h &#8211; no Audit\u00f3rio Madalena Biscaia Perdig\u00e3o.<br>Mas \u00e9 evidente que \u201cNa Casa\u201d \u00e9 muito mais do que apenas isto &#8211;\u00a0porque um espect\u00e1culo \u00e9 sempre mais do que <em>apenas<\/em> a soma das suas partes &#8211; e Ant\u00f3nio Dur\u00e3es e Jo\u00e3o L\u00f3io s\u00e3o muito mais do que <em>apenas<\/em> dois nomes.<br>A Jo\u00e3o L\u00f3io daremos em breve o destaque que merece a soberba obra que vem produzindo &#8211; trata-se afinal de algu\u00e9m de quem S\u00e9rgio Godinho disse uma vez que \u201c<strong><em>deve ser o mais bem guardado segredo da m\u00fasica portuguesa\u201d<\/em><\/strong>. Hoje falamos de (e com) Ant\u00f3nio Dur\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ant\u00f3nio Dur\u00e3es<\/strong>, natural da Figueira da Foz, \u00e9 profissional de teatro desde 1986, vive em Braga e \u00e9 professor de Interpreta\u00e7\u00e3o na Escola Superior de M\u00fasica e Artes do Espect\u00e1culo (ESMAE) no Porto, desde 2001.<br>Embora j\u00e1 tenha pisado todos os grandes palcos nacionais, trabalhado com os mais prestigiados autores e encenadores, feito cinema e at\u00e9 televis\u00e3o e seja actualmente um dos mais carism\u00e1ticos e respeitados actores do teatro portugu\u00eas e tamb\u00e9m um dos seus encenadores mais estimulantes, Ant\u00f3nio Dur\u00e3es aparentemente ainda n\u00e3o desistiu da Figueira, aonde volta sempre que pode \u2013 para ver os amigos, dar um mergulho ou dois e fazer coisas. \u00c9 s\u00f3cio-fundador d&#8217;<strong><u>Odezanovedejunho<\/u><\/strong>, a nossa<em>Associa\u00e7\u00e3o de Ideias<\/em><strong>, <\/strong>colaborador da<strong> Passarola <\/strong>e n\u00e3o se furtou a tr\u00eas quest\u00f5es e bastas considera\u00e7\u00f5es sobre Jo\u00e3o L\u00f3io e o espect\u00e1culo que ambos trazem ao <strong>EnCantar pela Paz<\/strong>, que ser\u00e1 o primeiro de uma <em>tourn\u00e9e<\/em> que os vai levar a outras salas e outras cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ant\u00f3nio Dur\u00e3es: <\/strong>A verdade \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 grupo associado a este projecto. H\u00e1, isso sim, a vontade de um encontro entre dois artistas, Ant\u00f3nio Dur\u00e3es e Jo\u00e3o L\u00f3io. Para al\u00e9m disso (que \u00e9 tanto) s\u00e3o dois cidad\u00e3os que se estimam, que coincidem em alguns momentos dos seus passados individuais e que, num momento espec\u00edfico, o in\u00edcio deste ano, conseguiram fazer coincidir os seus calend\u00e1rios e disponibilidade e vontade. Durante tr\u00eas meses, de forma regular, foram estabelecendo um di\u00e1logo art\u00edstico, procurando e encontrando entre os seus materiais, pontos (e pontes) de contacto de modo a tornar poss\u00edvel &#8211; e mais ou menos articulado -, um di\u00e1logo que nos pareceu coerente e que falava o que quer\u00edamos falar.<br>Esse di\u00e1logo, conversa de casa, em alguns momentos \u00e9 terreno poroso, e convida a voz do outro a entrar pelo discurso do outro dentro, contaminando esse discurso tal qual ele foi criado, com o m\u00ednimo pudor poss\u00edvel. Uma voz dentro da outra voz.<br>Um di\u00e1logo que fala de muitas coisas. Logo \u00e0 partida, fala da amizade, esse continente incontorn\u00e1vel, procura at\u00e9 defini-la; fala do espect\u00e1culo (teatral ou outro), tal como ele vai sendo frequentado pelas vozes que os convocam; dos medos que esse problema de habita\u00e7\u00e3o (habita\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio performativo) faz medrar; fala da personagem, essa criatura medi\u00fanica, que est\u00e1 entre o artista e a narrativa, sendo ve\u00edculo essencial dessa narrativa; fala dos diferentes passados (sem querer ser um espect\u00e1culo autobiogr\u00e1fico, mas sendo-o), e de um sem n\u00famero de outros assuntos, todos os que cabem em cerca de hora e meia de espect\u00e1culo, que \u00e9 o tempo que este espect\u00e1culo tem.<br><br>&#8211; <strong>O que \u00e9 concretamente o espect\u00e1culo \u201cNa Casa\u201d?<\/strong><br>&#8211; Estava precisamente a falar disso. Do que podemos encontrar neste encontro. Entre as can\u00e7\u00f5es que o Jo\u00e3o L\u00f3io foi compondo para as mais diferentes inst\u00e2ncias (teatro, muita, mas tamb\u00e9m cinema, mas tamb\u00e9m espect\u00e1culos, discos, etc, para a sua voz e para as vozes de outros, em grupo ou artistas individuais), verific\u00e1mos quais as que poderiam dialogar com os textos que entretanto eu escrevera.<br>O Jo\u00e3o L\u00f3io j\u00e1 tinha, h\u00e1 uns anos, num CD que at\u00e9 foi distribu\u00eddo pelo jornal P\u00fablico, com uma tiragem extraordin\u00e1ria e que por isso foi muito popular, tratado de fazer alguns encontros num trabalho que se chamou assim mesmo, ENCONTROS. Nesse disco, que respeitava apenas a alguns momentos da sua pr\u00f3pria biografia, art\u00edstica e c\u00edvica, ele estabelecia conversas musicais com um conjunto de artistas, mais conhecidos uns do que outros, antecipando uma pr\u00e1tica que agora \u00e9 mais ou menos comum. Nesse disco, estavam parcerias com S\u00e9rgio Godinho, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, Jorge Palma, Zeca Medeiros, Jo\u00e3o Afonso, Maria Am\u00e9lia Canossa, entre tantos outros, onde a partilha da palavra cantada j\u00e1 subentendia um di\u00e1logo. Num espect\u00e1culo a que tive ocasi\u00e3o de assistir, com Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, Am\u00e9lia Muge, Jo\u00e3o Afonso, Jo\u00e3o L\u00f3io (pois), Manuela de Freitas (a excelsa actriz) e Regina Castro, essa experi\u00eancia de colocar lado a lado palavras cantadas e palavras ditas, era um momento laboratorialmente relevante. Ao prepararmos este espect\u00e1culo, essa experi\u00eancia foi muitas vezes comentada, relembrada, como o gesto mais ou menos fundador que deveria iluminar este outro. Aqui, neste show, acontece uma coisa diferente, mas s\u00f3 isso.<br>Primeiro:<br>quisemos que fosse a coisa mais simples do mundo: uma guitarra, um cantautor e um dizedor, tr\u00eas microfones, duas estantes, uma mesa, duas cadeiras. Como se estiv\u00e9ssemos NA CASA. Com este prop\u00f3sito: o cantautor canta as suas can\u00e7\u00f5es, numa selec\u00e7\u00e3o que concorre com as palavras faladas; e o actor diz as suas palavras, faz as suas narrativas, sendo que tamb\u00e9m \u00e9 uma voz autoral. E nesse plano eles est\u00e3o lado a lado enquanto autoridade do espect\u00e1culo. Concorrem para aquela narrativa. Como se chegassem, jograis de hoje, Estragon e Vladimir, e connosco (convosco) esperassem Godot.<br><br>&#8211; <strong>Como surgiu a colabora\u00e7\u00e3o com Jo\u00e3o L\u00f3io?<\/strong><br>&#8211; Eu creio que o Jo\u00e3o L\u00f3io, por aqueles dias, devia andar um pouco mais nost\u00e1lgico. Um grupo de gente do Porto, das mais diversas proveni\u00eancias, tinha decidido juntar-se para cantar as suas can\u00e7\u00f5es. N\u00e3o exactamente nas suas costas, mas sem a sua participa\u00e7\u00e3o. Chamaram-se CORO CORAGEM, organizaram ensaios e montaram um espect\u00e1culo a que chamaram JO\u00c3O L\u00d3IO \u00c9 PARA CANTAR. Trinta ou quarenta pessoas, da m\u00fasica e sem ser da m\u00fasica, quiseram cantar as can\u00e7\u00f5es do L\u00f3io. E a verdade \u00e9 que encheram o Passos Manuel, paredes meias com o Coliseu, em duas ou tr\u00eas noites seguidas. Sem ele. Que esteve na plateia numa das noites, mas s\u00f3 isso. E ele deve ter sentido ci\u00fames. E neste entretanto, carregadinho de ci\u00fames, fal\u00e1mos e acert\u00e1mo-nos para fazer este espect\u00e1culo. Montado o espect\u00e1culo, decidimos mostr\u00e1-lo no espa\u00e7o MIRA, no Porto que, a abarrotar, recebeu muito bem a nossa conversa. Depois mostr\u00e1mo-lo tamb\u00e9m em Braga, na Biblioteca L\u00facio Craveiro da Silva que, n\u00e3o estando esgotada (era dia de futebol e de selec\u00e7\u00e3o) ainda assim esteve quase cheia. E a recep\u00e7\u00e3o foi semelhante. Ou seja, boa. Os espectadores, quase todos conhecidos e c\u00famplices, mas nem por isso menos cr\u00edticos e objectivos, validaram a nossa conversa.<br>Assim, passadas essas provas, come\u00e7amos aqui na Figueira da Foz um caminho por outras salas e outras cidades. A partir dessa experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Como encaras o teu regresso ao conv\u00edvio com o p\u00fablico figueirense?<\/strong><br>&#8211; N\u00e3o sei muito bem. Nem creio que se trate de um regresso. Nunca estive realmente fora, estando, ainda assim. A vida leva-nos para outros lugares. Outras exig\u00eancias. Outras pr\u00e1ticas. \u00c9 o normal nesta profiss\u00e3o. Porque, antes de tudo, ou ao mesmo tempo n\u00e3o sei, trata-se de uma profiss\u00e3o. Ou seja, eu trabalho numa \u00e1rea que n\u00e3o tem exist\u00eancia formal e profissional aqui. Teria gostado muito (e fiz alguma coisa para que isso tivesse sido poss\u00edvel) de ter permanecido profissionalmente aqui, mas n\u00e3o foi poss\u00edvel. Gostaria de ter estado mais vinculado, mais pr\u00f3ximo. E, ainda assim, estive o poss\u00edvel. Tentei vir vindo mostrar algumas das coisas que fui fazendo. E, na verdade, fui regressando. Ou fui estando. Portanto a apresenta\u00e7\u00e3o deste espect\u00e1culo n\u00e3o \u00e9 nem um regresso nem uma perman\u00eancia. \u00c9 um estar, estando. S\u00f3 isso. Quanto \u00e0 actividade art\u00edstica, mesmo a teatral, devo dizer que conhe\u00e7o muito mal o territ\u00f3rio. Sei de algumas coisas que est\u00e3o a acontecer, mas de menos para fazer uma qualquer avalia\u00e7\u00e3o. Ou ter, t\u00e3o pouco, opini\u00e3o. Mas estou solid\u00e1rio com todos aqueles que querem mexer, que aspiram \u00e0 agita\u00e7\u00e3o das \u00e1guas. Nesse sentido at\u00e9 fui estando presente. Solidariamente presente. Mas s\u00f3 isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante todo o m\u00eas de Agosto a Passarola est\u00e1 a editar uma s\u00e9rie de artigos e pequenas entrevistas para dar a conhecer os artistas que participam no evento EnCantar pela Paz que, produzido pel&#8217;Odezanovedejunho &#8211; Associa\u00e7\u00e3o de Ideias, decorrer\u00e1 de 3 a 27 de Setembro no Audit\u00f3rio Madalena Biscaia Perdig\u00e3o. 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