{"id":1380,"date":"2025-08-23T08:39:13","date_gmt":"2025-08-23T08:39:13","guid":{"rendered":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1380"},"modified":"2025-08-23T08:39:13","modified_gmt":"2025-08-23T08:39:13","slug":"memoria-historica-ivan-stern-sors-1895-1950","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1380","title":{"rendered":"Mem\u00f3ria hist\u00f3rica &#8211; Ivan Stern Sors (1895-1950)"},"content":{"rendered":"\n<p><em>por <strong>Fernando Campos<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>A vida verdadeira do pintor <em>debaixo do lava-loi\u00e7as<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 1940, tal como outras cidades do litoral, a Figueira da Foz encheu-se de refugiados, oriundos de todos os pa\u00edses invadidos ou amea\u00e7ados pelos nazis. Muitos deles foram acolhidos por particulares. Foi o caso do pintor Ivan Sors, que esteve hospedado quatro meses em casa do fot\u00f3grafo figueirense Afonso Cruz.<br>Em 2011, o neto de Afonso Cruz, e escritor com o mesmo nome, publicou um romance onde recriou, efabulando, a vida desse pintor que, <em>\u201ccom medo da PIDE (ent\u00e3o PVDE) dormia debaixo do lava-loi\u00e7as\u201d<\/em>.<br>A vida pode n\u00e3o ser t\u00e3o romanesca como a fic\u00e7\u00e3o mais imaginosa, mas por vezes n\u00e3o \u00e9 menos extraordin\u00e1ria. O que se segue \u00e9 o que se sabe, o que se presume e o que <em>nos coube,<\/em> da vida verdadeira de Ivan Sors.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ivan Sors<\/strong>, de seu verdadeiro nome <strong><em>Izidor Stern<\/em><\/strong>, foi um pintor de origem judaica que nasceu em Reca, Hungria, mas viveu a maior parte da sua vida na actual Ch\u00e9quia. Come\u00e7ou os seus estudos em Budapeste, mas mudou-se depois para Praga, onde trabalhou para v\u00e1rios jornais e editoras como caricaturista e ilustrador. Combateu na Primeira Guerra Mundial, assistiu, com o fim do imp\u00e9rio Austro-H\u00fangaro, ao nascimento do seu pa\u00eds, a Checoslov\u00e1quia, com a implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica em 1918, e editou um \u00e1lbum com 300 retratos dos deputados do seu parlamento. Trabalhou para o jornal <em>Marianne<\/em> durante dois anos e tamb\u00e9m assistiu, em Genebra, \u00e0 primeira <em>Assembleia da Sociedade das Na\u00e7\u00f5es<\/em>, em 1920. Em 1928, visitou Nova Iorque e desenhou retratos de v\u00e1rios membros do Partido Democr\u00e1tico, incluindo Franklin Roosevelt e a sua mulher Eleanor, que depois reuniu num \u00e1lbum. Em 1929, ilustrou o livro de Isaac Landmann, <em>Christian and Jew &#8211; A Symposium for Better Understanding<\/em> e regressou a Praga.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Mar\u00e7o de 1939 os nazis invadiram a Checoslov\u00e1quia.<br>Em Junho de 1940, Ivan Sors chegou a Portugal, presume-se que com um visto de Aristides de Sousa Mendes, o <em>nosso<\/em> c\u00f4nsul em Bord\u00e9us. Viveu na Figueira da Foz, acolhido em casa do fot\u00f3grafo Afonso Cruz at\u00e9 que, em Novembro, embarcou para Nova Iorque a bordo do navio Niassa. Continuou a sua carreira nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, onde foi professor de arte, criou medalhas para a colec\u00e7\u00e3o de Samuel Friedenberg e foi colaborador da <em>Universal Jewish Encyclopedia<\/em>. Morreu em Mar\u00e7o de 1950, em Nova Iorque.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a sua estadia de quatro meses na Figueira da Foz, Ivan Sors dedicou-se \u00e0 caricatura e \u00e0 aguarela, em apontamentos de <em>tipos locais<\/em>. Sobre a sua perman\u00eancia na Figueira, Fausto de Almeida escreveu no Jornal <em>Reclamo,<\/em> a 12 de Outubro de 1940 na p\u00e1gina 7: <strong>\u201cContinua entre n\u00f3s, como refugiado de guerra, este grande Artista Checo. Desenhador de invulgar categoria, caricaturista de guerra, mestre no fixar dos aspectos t\u00edpicos e dos caracteres etnogr\u00e1ficos, que qu\u00e1si instantaneamente apreende e transmite ao papel, Ivan Sors, gra\u00e7as ao seu privilegiado talento, integrou-se no ambiente piscat\u00f3rio local e possui j\u00e1 uma boa colec\u00e7\u00e3o de tipos de gente do mar, de gente de Buarcos, que o afirmam como um Artista de excepcionais faculdades art\u00edsticas.\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Deixou in\u00fameros trabalhos em casa de particulares e, a Afonso Cruz, dois quadros a \u00f3leo e um rastilho de mem\u00f3ria que haveria de incendiar a imagina\u00e7\u00e3o do seu neto escritor.<\/p>\n\n\n\n<p>O Museu Municipal Dr. Santos Rocha possui no seu acervo tr\u00eas pequenas aguarelas de sua autoria, adquiridas em 1940. Uma delas est\u00e1 (ou esteve) em exposi\u00e7\u00e3o no piso superior do <em>N\u00facleo Laranjeira Santos<\/em>, no Pal\u00e1cio Engenheiro Silva (Esplanada Silva Guimar\u00e3es) \u2013 uma <em>estrutura<\/em> inaugurada h\u00e1 poucos anos mas entretanto encerrada<em> para remodela\u00e7\u00e3o &#8211;<\/em> que podereis visitar, se porventura entretanto j\u00e1 a encontrardes re-aberta para visita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m podereis, claro, ler ou reler o romance <strong><em>\u201cO pintor debaixo do lava-loi\u00e7as\u201d<\/em><\/strong>, de Afonso Cruz &#8211; que inclui, no seu ep\u00edlogo, a reprodu\u00e7\u00e3o a preto-e-branco dos dois quadros que Sors ofereceu a seu av\u00f4: uma crucifica\u00e7\u00e3o e o retrato de sua av\u00f3 em traje de minhota.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ao alto, auto-retrato de Ivan Sors (desenho a l\u00e1pis, 1932), <a href=\"https:\/\/ndk.cz\/view\/uuid:b845ef80-c8ce-11e9-b223-005056827e52?page=uuid:a7d8e38a-d576-45c5-8669-27dba9aaff08\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/ndk.cz\/view\/uuid:b845ef80-c8ce-11e9-b223-005056827e52?page=uuid:a7d8e38a-d576-45c5-8669-27dba9aaff08\">daqui<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Fernando Campos A vida verdadeira do pintor debaixo do lava-loi\u00e7as A partir de 1940, tal como outras cidades do litoral, a Figueira da Foz encheu-se de refugiados, oriundos de todos os pa\u00edses invadidos ou amea\u00e7ados pelos nazis. 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