{"id":1638,"date":"2025-09-30T09:15:29","date_gmt":"2025-09-30T09:15:29","guid":{"rendered":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1638"},"modified":"2025-09-30T09:15:29","modified_gmt":"2025-09-30T09:15:29","slug":"sobre-o-encantar-pela-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1638","title":{"rendered":"Sobre o EnCantar pela Paz"},"content":{"rendered":"\n<p>Acabou o <strong>EnCantar pela Paz<\/strong>, que abriu as portas do Museu Municipal tr\u00eas noites por semana durante todo o m\u00eas de Setembro. Foi uma honra e um prazer para <strong><u>Odezanovedejunho<\/u><\/strong>, <em>Associa\u00e7\u00e3o de Ideias <\/em>\u2013 um prazer trabalhoso, diga-se, porque executar projectos culturais independentes em Portugal \u00e9 como escalar Everestes com guias sa\u00eddos do <em>Processo<\/em> de Kafka. Mas foi mesmo assim um prazer concretizar uma ideia que esteve no cerne da cria\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o: dar \u00e0 Figueira da Foz um evento que desse a conhecer a riqueza de artistas locais que n\u00e3o t\u00eam tido, na nossa opini\u00e3o, o destaque que merecem. V\u00e1rios deles quase nunca s\u00e3o convidados a actuar na sua terra, alguns deles tiveram aqui a rara oportunidade de actuar para as pr\u00f3prias fam\u00edlias. Veteranos do teatro de amadores local puderam ver trabalhos de actores figueirenses que t\u00eam estado dispersos pelo pa\u00eds. Nas noites de cinema figueirense houve debates a lembrar o antigo festival de cinema, com membros do elenco no dia da fic\u00e7\u00e3o e com pessoas que conhecem a regi\u00e3o e as suas problem\u00e1ticas no dia dos document\u00e1rios. Jovens artistas tiveram um palco para mostrar que existem. E em cada noite (e uma tarde) do nosso programa, mesmo sem an\u00fancios ou reportagens nos jornais nem rubricas nas agendas culturais, um p\u00fablico crescente de figueirenses deslocou-se ao Audit\u00f3rio Madalena Biscaia Perdig\u00e3o, chamados por cartazes ou pelas redes sociais, puxados por amigos e fam\u00edlia, para ouvir m\u00fasica, poesia, ver teatro, cinema, artes circenses, caricatura e fotografia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o esquecemos o mundo l\u00e1 fora. Tudo o que mostr\u00e1mos durante este \u00faltimo m\u00eas foi sob a al\u00e7ada de um tema, a luta pela paz, contra tudo o que anima guerras e fascismos aqui e pelo mundo. A 21 de Setembro, Dia Internacional da Paz e momento central do programa, convid\u00e1mos o p\u00fablico a reflectir sobre o presente genoc\u00eddio em Gaza com o document\u00e1rio palestiniano-noruegu\u00eas vencedor do Oscar <em>No Other Land<\/em>, que por falta de distribui\u00e7\u00e3o comercial e institucional nunca tinha sido exibido na Figueira. Acompanh\u00e1mos esta sess\u00e3o com uma mensagem d\u2019Odezanovedejunho \u2013 prestes a ser publicada aqui na revista online da associa\u00e7\u00e3o, a <strong><u>Passarola<\/u><\/strong> \u2013 e com interpreta\u00e7\u00f5es de dois poemas dramatizados que lembraram que como a guerra em Gaza houve e h\u00e1 ainda muitas mais, todas movidas pelos mesmos princ\u00edpios: uma gan\u00e2ncia capitalista e imperialista, a que o \u00f3dio ao nosso semelhante torna mais f\u00e1cil subscrever, e que a falta de curiosidade intelectual e de consci\u00eancia pol\u00edtica tornam mais f\u00e1cil aceitar. Por isto, nadamos ent\u00e3o contra a corrente, batalhamos contra a ascens\u00e3o do fascismo, e atacamos as suas ra\u00edzes oferecendo uma alternativa a essa falta de curiosidade. O nosso programa teve patrim\u00f3nio imaterial e cancioneiro popular portugueses, fado, can\u00e7\u00f5es de Abril, rock, grunge, m\u00fasica argentina, celta, brasileira, e muito mais; porque enriquecer uma terra tamb\u00e9m \u00e9 expandir os seus horizontes. Servem quase de articula\u00e7\u00e3o desta ideia os document\u00e1rios que exibimos de Lu\u00eds Margalhau, que mostram a import\u00e2ncia de iniciativas culturais \u2013 que podem e devem ser potencializadas com apoio institucional e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o \u2013 que mostrem atrav\u00e9s das artes outras experi\u00eancias e novas maneiras de ver o mundo, especialmente \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais jovens, para que possamos sair das trevas em que este momento hist\u00f3rico de antolhos colectivos nos p\u00f4s.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos uma associa\u00e7\u00e3o rec\u00e9m-criada, e o Encantar pela Paz foi um dos nossos primeiros empreendimentos p\u00fablicos. O que aprendemos com a experi\u00eancia: que h\u00e1 arte a ser produzida na Figueira da Foz, nas margens dos circuitos com mais visibilidade. H\u00e1 artistas interessantes que querem ter onde mostrar o que fazem. E h\u00e1 p\u00fablico que os quer conhecer; que quer, como clam\u00e1mos no nosso manifesto, \u201carejar as mentes, lavar as almas e elevar os esp\u00edritos\u201d. Depois deste m\u00eas de Setembro, h\u00e1 p\u00fablico que ficou j\u00e1 a conhecer alguns dos artistas que por a\u00ed t\u00eam andado infelizmente subvalorizados. Por todos v\u00f3s, por n\u00f3s, por eles e por outros que se seguir\u00e3o, dizemos: esta vez foi s\u00f3 a primeira. Para j\u00e1, a Passarola n\u00e3o deixar\u00e1 de perscrutar, criticar e desconstruir, e continuaremos a contribuir com o que pudermos para a vida cultural e c\u00edvica desta terra que queremos empurrar para a frente e para cima. E para o ano h\u00e1 mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acabou o EnCantar pela Paz, que abriu as portas do Museu Municipal tr\u00eas noites por semana durante todo o m\u00eas de Setembro. 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