{"id":1656,"date":"2025-10-04T11:02:06","date_gmt":"2025-10-04T11:02:06","guid":{"rendered":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1656"},"modified":"2025-10-04T11:02:46","modified_gmt":"2025-10-04T11:02:46","slug":"sem-igualdade-e-igualdade-com-todos-nao-ha-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=1656","title":{"rendered":"\u201cSem igualdade, e igualdade com todos, n\u00e3o h\u00e1 paz.\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">A <strong>Passarola<\/strong> solidariza-se com os quatro cidad\u00e3os portugueses e com todos os outros bravos integrantes da flotilha global Sumud em miss\u00e3o humanit\u00e1ria a Gaza e \u00e0 Palestina que, interceptados ilegalmente em \u00e1guas internacionais, se encontram neste momento detidos pelas for\u00e7as israelitas de ocupa\u00e7\u00e3o.<br>Tamb\u00e9m consideramos lament\u00e1vel a posi\u00e7\u00e3o (mais uma) covarde e canhestra de Portugal perante o estado genocida de Israel, bem como o seu comprometimento com uma infame corrida aos armamentos contr\u00e1ria \u00e0s conveni\u00eancias da paz entre os povos &#8211; arbitrariamente determinada pela pot\u00eancia respons\u00e1vel pelo genoc\u00eddio em curso na Palestina.<br>O que se segue \u00e9 o texto integral da mensagem que <strong><u>Odezanovedejunho<\/u><\/strong>, <em>Associa\u00e7\u00e3o de Ideias<\/em> dirigiu ao p\u00fablico presente no Audit\u00f3rio Madalena Biscaia Perdig\u00e3o na noite de 21 de Setembro. Esta mensagem precedeu a programa\u00e7\u00e3o especial que o <strong>EnCantar pela Paz<\/strong> dedicou ao Dia Internacional da Paz.<\/p>\n\n\n\n<p>Boa Noite a todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem-vindos ao EnCantar pela Paz.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa \u00e9poca em que a humanidade atingiu um n\u00edvel de sofistica\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e uma capacidade de produ\u00e7\u00e3o de alimentos que lhe permitiriam erradicar da face da terra a ignor\u00e2ncia e a fome generalizada, assiste-se, pelo contr\u00e1rio, a um exponencial aumento das desigualdades, a um preocupante culto do preconceito e a um n\u00edtido retrocesso civilizacional que \u2013 com o alto patroc\u00ednio dos mais esconsos e inconfessados interesses econ\u00f3micos \u2013 s\u00e3o as fontes de todos os conflitos raciais, \u00e9tnicos, religiosos ou territoriais que nos preocupam a todos.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo \u00e9 um lugar cada vez mais violento. Mais violento ainda do que no in\u00edcio deste s\u00e9culo, que come\u00e7ou com uma invas\u00e3o ilegal com falsos pretextos e altos-patroc\u00ednios ao terrorismo em larga escala e falsa bandeira.<\/p>\n\n\n\n<p>O brio macabro da irracionalidade expande-se outra vez num v\u00f3rtice&nbsp; medi\u00e1tico de desinforma\u00e7\u00e3o e propaganda armamentista \u00e0 escala mundial (at\u00e9 mesmo entre n\u00f3s se <em>levanta hoje<\/em> <em>de novo<\/em> <em>o esplendor<\/em> aned\u00f3tico-belicoso de um <em>nobrepovismo<\/em> e de um <em>nacionalvalentismo <\/em>que muitos de n\u00f3s talvez j\u00e1 consider\u00e1ssemos ultrapassado).<\/p>\n\n\n\n<p>Os gastos militares globais n\u00e3o p\u00e1ram de crescer. O incremento deste <em>investimento<\/em> nos or\u00e7amentos dos estados atinge cifras cada vez mais obscenas e impronunci\u00e1veis. O lucro proveniente dessa produ\u00e7\u00e3o doentia de armas n\u00e3o se pode realizar se elas n\u00e3o forem vendidas, e para continuar a vend\u00ea-las \u00e9 necess\u00e1rio que sejam utilizadas. \u00c9 preciso que elas cumpram o seu objectivo \u2013 matar pessoas, destruir culturas, arrasar escolas, hospitais\u2026 Esta \u00e9 a l\u00f3gica, e a hist\u00f3ria, do capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong><em>O capitalismo traz a guerra, como a nuvem traz a tempestade<\/em><\/strong>\u201d. Esta frase, pronunciada por Jean Jaur\u00e8s no dia 25 de julho de 1914, n\u00e3o poderia estar, infelizmente, mais actual (Jaur\u00e8s haveria de ser assassinado a 31 e na v\u00e9spera do seu funeral, a Alemanha declarou guerra \u00e0 Fran\u00e7a; assim come\u00e7ou a primeira guerra mundial).<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m das guerras mais medi\u00e1ticas, como a da Ucr\u00e2nia e a do <strong>horrendo e continuado genoc\u00eddio na Palestina,<\/strong> existem no mundo neste momento 21 conflitos armados em grande escala: na S\u00edria, no Burkina-Faso, na Som\u00e1lia, no Sud\u00e3o, na Nig\u00e9ria, no I\u00e9men, em Mianmar&#8230; Tamb\u00e9m persistem duzentas e sessenta e uma outras pend\u00eancias larvares que, a todo o instante, podem fazer deflagrar outro grande conflito global cujas consequ\u00eancias devastadoras, desta vez podem ser&#8230;\u00a0 definitivas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><u>OdezanovedeJunho<\/u><\/strong><strong> \u2013 <em>Associa\u00e7\u00e3o de ideias<\/em><\/strong> n\u00e3o p\u00f4de ficar indiferente a esta<s> <\/s>conjuntura &#8211; e porque, como disse Benjamin Franklin, <strong><em>n<\/em><\/strong><strong><em>unca houve uma guerra boa nem uma paz ruim<\/em><\/strong>, subordinou este evento <em>eminentemente cultural<\/em> \u00e0 reflex\u00e3o e \u00e0 sensibiliza\u00e7\u00e3o para a paz.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, neste dia 21 de Setembro, designado pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas como <strong>Dia Internacional da Paz<\/strong>, o EnCantar pela Paz ir\u00e1 evocar a mais desigual de entre todas as guerras medonhas e in\u00edquas que se travam no presente: a da Palestina. Porque se trata de um horrendo genoc\u00eddio, um massacre programado e perpetrado metodicamente, todos os dias desde 1948, por um estado, com o seu ex\u00e9rcito e as suas pol\u00edcias e os seus bulldozers, sobre uma popula\u00e7\u00e3o civil indefesa. Um estado que instituiu um hediondo sistema de apartheid alicer\u00e7ado num vasto e implac\u00e1vel programa de ocupa\u00e7\u00f5es, persegui\u00e7\u00f5es, expuls\u00f5es sistem\u00e1ticas, expropria\u00e7\u00f5es abusivas, deten\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias e bombardeamentos indiscriminados, num assumido <em>projecto colonial de substitui\u00e7\u00e3o<\/em> que desobedece a todas as resolu\u00e7\u00f5es da Assembleia Geral das Na\u00e7oes Unidas desde h\u00e1 mais de setenta anos, com a coniv\u00eancia c\u00famplice de alguns estados <em>de excep\u00e7\u00e3o<\/em> \u2013 entre os quais, para nossa suprema e humilhante desonra, o nosso (este n\u00e3o \u00e9, infelizmente, caso \u00fanico na hist\u00f3ria infeliz da nossa <em>diplomacia:<\/em> a sua servil, tradicional e perseverante fidelidade canina a <em>aliados estrat\u00e9gicos preferenciais<\/em> j\u00e1 lhe permitiu arrastar vergonhosamente os p\u00e9s noutras circunst\u00e2ncias igualmente ign\u00f3beis e infames, como por exemplo, no <strong>voto<\/strong> <strong>contra<\/strong> uma resolu\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas que exigia a liberta\u00e7\u00e3o incondicional de Nelson Mandela) .<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disto, ou por isto mesmo, <strong>Odezanovedejunho<\/strong> tem a honra de patrocinar a exibi\u00e7\u00e3o p\u00fablica, no EnCantar pela Paz, hoje pela primeira vez na Figueira da Foz, do filme palestino-noruegu\u00eas <strong><em>No Other Land<\/em><\/strong>, estreado em 2024 no Festival de Cinema de Berlim, e premiado em 2025 com o Oscar&nbsp; de <em>Melhor Document\u00e1rio de Longa-metragem<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de um vigoroso e pungente testemunho de quatro valentes cineastas (dois palestinianos e dois israelitas) que talvez possa contribuir para sensibilizar a opini\u00e3o p\u00fablica para um mart\u00edrio colectivo sem fim \u00e0 vista. Quanto ao estado portugu\u00eas, chegou finalmente a not\u00edcia de que se apresta para reconhecer, hoje mesmo, o estado da Palestina. Veremos em que termos. E em que termos aplicar\u00e1 tamb\u00e9m as normas provis\u00f3rias emitidas pelo Tribunal Internacional de Justi\u00e7a a 26 de Janeiro de 2024, no <strong><em>sentido de prevenir (e punir) o genoc\u00eddio.<\/em><\/strong> Porque o imperativo (sem tibiezas)&nbsp; \u00e9 o reconhecimento oficial, imediato e<strong> <em>incondicional<\/em> <\/strong>do<strong> Estado da Palestina<\/strong> \u2013 antes que seja tarde de mais. Pois como disse o nosso Padre Vieira &#8211; na Hist\u00f3ria do Futuro &#8211; \u201c<strong><em>sem igualdade, e igualdade com todos, n\u00e3o h\u00e1 paz\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes, por\u00e9m, da projec\u00e7\u00e3o deste filme tremendo, o actor Vitor Filipe ir\u00e1 interpretar, com acompanhamento musical de Pedro Abreu e videogr\u00e1fico de David Fadul, o poema dram\u00e1tico \u201cA Gota de Mel\u201d, de Le\u00f3n Chancerel; um libelo pela paz que foi estreado em Portugal por Ant\u00f3nio Pedro no TEP em 1959, e imediatamente proibido &#8211; na sequ\u00eancia do conflito com a Uni\u00e3o Indiana a prop\u00f3sito do chamado <em>Estado Portugu\u00eas da \u00cdndia<\/em> e do in\u00edcio da Guerra Colonial &#8211; esteve proibido at\u00e9 ao 25 de Abril.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a projec\u00e7\u00e3o do filme, pe\u00e7o-vos que n\u00e3o se retirem porque a noite culminar\u00e1 com uma ac\u00e7\u00e3o performativa pelo <strong><em>Colectivo Po\u00e9tico d\u2019ODezanovedeJunho<\/em><\/strong>, a partir do poema \u201c<strong><em>Mais guerras, n\u00e3o<\/em><\/strong>\u201d de Alberto Uva.<br>Toda a arquitetura coreogr\u00e1fica que sustenta este poema \u00e9 austera, minimalista, decididamente contundente, com um desenho de luz e de som simples e expressivo, que lhe d\u00e3o forma e fazem sobressair a determina\u00e7\u00e3o&nbsp; que lhe est\u00e1 impl\u00edcita.<br>Queremos no entanto avisar que esta <em>performance<\/em> tem momentos de luz estrobosc\u00f3pica (de fraca intensidade), pelo que se algu\u00e9m no p\u00fablico souber ou sentir que o possa afectar, dever\u00e1 tomar as devidas precau\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No mais, <strong><u>Odezanovedejunho<\/u><\/strong> deseja-vos uma boa noite, intensa e reflexiva. <strong>Viva a Paz<\/strong>. <strong>Viva a igualdade<\/strong>; porque sem igualdade n\u00e3o h\u00e1 paz que viva. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Passarola solidariza-se com os quatro cidad\u00e3os portugueses e com todos os outros bravos integrantes da flotilha global Sumud em miss\u00e3o humanit\u00e1ria a Gaza e \u00e0 Palestina que, interceptados ilegalmente em \u00e1guas internacionais, se encontram neste momento detidos pelas for\u00e7as israelitas de ocupa\u00e7\u00e3o.Tamb\u00e9m consideramos lament\u00e1vel a posi\u00e7\u00e3o (mais uma) covarde e canhestra de Portugal perante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1657,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"saved_in_kubio":false,"pagelayer_contact_templates":[],"_pagelayer_content":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-1656","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-passarola"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1656","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1656"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1656\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1659,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1656\/revisions\/1659"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1657"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}