{"id":736,"date":"2025-04-25T08:33:53","date_gmt":"2025-04-25T08:33:53","guid":{"rendered":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=736"},"modified":"2025-04-25T09:11:32","modified_gmt":"2025-04-25T09:11:32","slug":"mario-berto-nao-nao-me-pagam-que-eu-nao-quero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=736","title":{"rendered":"M\u00e1rio Bert\u00f4: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o me pagam &#8211; que eu n\u00e3o quero\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>por<strong><em> Fernando Campos<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>Vida e causas de um amador apaixonado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">\u201c<em>Est\u00e1 no pensamento como ideia;<\/em><br><em>e o vivo e puro amor de que sou feito,<\/em><br><em>Como a mat\u00e9ria simples busca a forma<\/em>.\u201d<br>&#8211; <strong>Lu\u00eds de Cam\u00f5es<\/strong>, <em>Transforma-se o amador na cousa amada<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Parece um velho marinheiro \u2013 mas n\u00e3o dos que perdeu as gra\u00e7as do mar. O vento que o desassossega \u00e9 o nosso tempo; o mar que o desinquieta \u00e9 o mundo em que vivemos. Ele continua atento \u00e0s mar\u00e9s. <strong><em>Eu vim ao mundo com uma guerra<\/em><\/strong> &#8211; diz, com ironia inconformada &#8211; <strong><em>e n\u00e3o queria ir-me embora com outra &#8211; <\/em><\/strong>remata, grave e apreensivo<em>.<\/em><br>A<strong><em> Passarola<\/em><\/strong> falou com ele. O que se segue n\u00e3o \u00e9 uma entrevista mas o registo impressivo do depoimento de um homem l\u00facido que viveu intensamente o seu tempo e participou activamente na hist\u00f3ria da nossa cidade. <em>Vivir<\/em> <em>para contarla.<\/em> A esta vida <em>contada<\/em> julgamos, por\u00e9m, adequado acrescentar <em>notas de rodap\u00e9<\/em> &#8211; que explicam alguns nomes e factos que n\u00e3o se eximiu de aludir &#8211; para edifica\u00e7\u00e3o dos <em>esquecidos<\/em> e das novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e1rio<\/strong> <strong>Alberto Ribeiro Ferreira <\/strong>\u00e9 um cidad\u00e3o com uma impressionante folha de servi\u00e7os prestados \u00e0 comunidade e \u00e0 cultura. Amador de teatro desde a juventude, no Porto, onde nasceu e se iniciou, com 14 anos, nos <em>Modestos<\/em>(<strong>1<\/strong>), parece ter tido sempre presentes, ao longo da sua vida, os princ\u00edpios de solidariedade desinteressada da velha e popular troupe portuense. Tamb\u00e9m frequentou o TEP &#8211; Teatro Experimental do Porto onde, sob a direc\u00e7\u00e3o de <em>Ant\u00f3nio Pedro<\/em>(<strong>2<\/strong>), <strong><em>\u201cera muito alto e muito severo e exigente\u201d<\/em><\/strong>, partilhou o palco com actores como J\u00falio Cardoso e Ant\u00f3nio Reis, que mais tarde haveriam de fundar a <em>Seiva Troupe<\/em>. M\u00e1rio contudo sempre preferiu o registo c\u00f3mico e o alegre improviso ao tom solene e declamado do teatro dito <em>s\u00e9rio &#8211; <\/em>o riso breve de um chiste fugaz \u00e0 penosa solenidade de um longo serm\u00e3o sentencioso. Foi nesse \u00e2mbito, quando se apresentava, sempre como amador em colectividades populares, como \u201co <em>Badar\u00f3 do Carvalhido<\/em>\u201d, emulando os <em>n\u00fameros<\/em> mais conhecidos desse grande comediante brasileiro muito em voga na \u00e9poca, que <em>ganhou<\/em> o seu <em>nome<\/em> <em>art\u00edstico. <\/em>Um nome forjado, e oferecido, pelo pr\u00f3prio Badar\u00f3, e pelo qual \u00e9 hoje conhecido por todos: <strong>Bert\u00f4 &#8211;<\/strong> <strong>M\u00e1rio Bert\u00f4<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O esp\u00edrito inconformista e a atitude contestat\u00e1ria \u00e0 ditadura v\u00eam-lhe&nbsp; do exemplo, da inf\u00e2ncia &#8211; <strong><em>\u201clembro-me do Dr. Ruy Lu\u00eds Gomes<\/em><\/strong>(<strong>3<\/strong>)<strong><em>, era cliente do meu pai e lembro-me de ouvir as suas conversas&#8230; que me marcaram\u201d &#8211; <\/em><\/strong>e da juventude, no Porto, onde o <em>reviralho<\/em> tinha todo um \u201ccalend\u00e1rio de actividades\u201d para \u201cconfundir\u201d a ditadura. A 5 de Outubro, no 1\u00ba de Maio ou a 31 de Janeiro(<strong>4<\/strong>), por exemplo; <strong><em>\u201cNeste dia \u00edamos todos (os portuenses do reviralho) para a baixa e sab\u00edamos que \u00edamos \u201ccomer\u201d. Porque \u00e9ramos aos milhares e quer\u00edamos colocar a placa com o nome da rua \u201c31 de Janeiro\u201d, que o Salazar tinha feito re-baptizar como Rua de St\u00ba Ant\u00f3nio. A pol\u00edcia vedava-nos logo o acesso \u00e0 rua, claro, e vinha logo \u00e0 cacetada, viravam o cassetete ao contr\u00e1rio e davam com aquela argola met\u00e1lica, depois vinha o carro da \u00e1gua e era porrada e \u00e1gua pra todos; mas depois, no ano seguinte, a \u00e1gua j\u00e1 era verde, que era para \u201cmarcar\u201d a malta e os gajos regavam at\u00e9 quem estava \u00e0 janela dos pr\u00e9dios. E era muita porrada, a pol\u00edcia dava em n\u00f3s e n\u00f3s na pol\u00edcia, \u00edamos todos parar ao hospital. Era todos os anos assim. Eu fui tr\u00eas anos seguidos para o hospital.\u201d <\/em><\/strong>Mas houve um ano, mais tarde, j\u00e1 namorava e vinha, com a futura esposa e com a sua irm\u00e3 mais nova, <strong><em>\u201cde uma passagem de modelos na Rua da F\u00e1brica para baixo apanhar o el\u00e9ctrico para o Carvalhido e, lembro-me como se fosse hoje: no meio daquela confus\u00e3o, a pol\u00edcia agarra num sujeito de gabardine que estava escondido no portal do Banco de Portugal, arrasta-o at\u00e9 \u00e0 pra\u00e7a, sempre debaixo de pancada, e continua a espanc\u00e1-lo aos p\u00e9s da est\u00e1tua. Soubemos mais tarde que acabaram por o matar. Era um sujeito ligado a uns escrit\u00f3rios do vinho do porto. Era assim a \u201cjusti\u00e7a\u201d. Que, plos vistos, h\u00e1 quem queira implantar outra vez em Portugal.\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Radicado desde os anos sessenta do s\u00e9culo passado na Figueira da Foz, onde se estabeleceu com 22 anos, rec\u00e9m-casado, com um sal\u00e3o de cabeleireiro, M\u00e1rio conheceu in\u00fameras dificuldades, cogitou mesmo desistir e fazer as malas ao fim da <em>primeira temporada<\/em> \u2013 ao inv\u00e9s do que pensam os figueirenses que cultivam o mito do passado radioso, <strong>\u201c<em>A Figueira, nesse tempo, fechava em Outubro e s\u00f3 abria em Maio, como o Casino\u201d<\/em><\/strong> &#8211; mas logrou ultrapass\u00e1-las e ainda participar activamente na vida associativa e cultural e na efervescente resist\u00eancia \u00e0 ditadura, ao lado das figuras tutelares de velhos resistentes como Cristina Torres, Rui Fernandes Martins e Rui Alves. Foi dirigente, seccionista e treinador de futebol no Gin\u00e1sio Clube Figueirense, actor e animador, sempre amador, em festas de benefic\u00eancia, e at\u00e9 correspondente do Jornal de Not\u00edcias. Foi nesta qualidade que protagonizou, a poucos dias do 25 de Abril, um epis\u00f3dio que pode ter tido import\u00e2ncia capital no facto de hoje a Figueira ser dotada de um hospital <em>distrital: <\/em>fez publicar, na \u00faltima p\u00e1gina do JN, uma reportagem ilustrada com fotos esclarecedoras sobre o estado de degrada\u00e7\u00e3o do hospital que <em>Bissaya Barreto<\/em>(<strong>5<\/strong>) havia feito edificar na Cova-Gala e se encontrava encerrado havia oito anos. <strong><em>&#8220;o velho hospital da Figueira, sem condi\u00e7\u00f5es absolutamente nenhumas, era um posto de despacho de doentes ou sinistrados para Coimbra. Entretanto, na Gala estava um espa\u00e7o hospitalar pronto mas encerrado e com vigilante \u00e0 porta.\u201d <\/em><\/strong>Ludibriado este, M\u00e1rio entrou furtivamente e tirou fotografias do interior. <strong>\u201c<em>Depois fomos ao Cruz<\/em><\/strong>(<strong>6<\/strong>)<strong><em> que nos revelou os rolos.<\/em><\/strong> <strong><em>A publica\u00e7\u00e3o da reportagem causou furor, ao ponto de ter sido apresentada queixa policial por entrada abusiva num espa\u00e7o privado. Fui salvo pelo 25 de Abril. Ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o, <\/em>(<\/strong>durante a vig\u00eancia de um dos governos provis\u00f3rios),<strong><em> fui contactado pelo Dr. Vasco<\/em><\/strong>(<strong>7<\/strong>)<strong><em> que me pediu os dados da reportagem para os ceder \u00e0 Ordem dos M\u00e9dicos em Coimbra e esta ao governo. Depois disso, um grupo de figueirenses, entre os quais destaco o Menano<\/em><\/strong>(<strong>8<\/strong>)<strong><em>, na altura funcion\u00e1rio do hospital, iniciaram um projecto para a abertura desse espa\u00e7o. Foi moroso mas conseguiu-se e, a partir dai, foram feitas v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es e arranjos, pois devido ao tempo que tinha estado fechado, o piso e as pr\u00f3prias canaliza\u00e7\u00f5es estavam todas degradadas. Quando se iniciou o servi\u00e7o hospitalar, tivemos a sorte de uma valorosa equipa de m\u00e9dicos de Coimbra e da Figueira avan\u00e7arem com o trabalho cl\u00ednico que foi reconhecido por todos. Mas o hospital \u00e9 uma conquista do Povo da Figueira, TEMOS DE O DEFENDER, agora que\u00a0 querem desvaloriz\u00e1-lo de novo, tirando-lhe a cada dia mais val\u00eancias<\/em><\/strong>.\u201d Sem nada que ver mas <em>a prop\u00f3sito<\/em>, M\u00e1rio Bert\u00f4 ainda teve oportunidade, antes de se desvincular do JN (devido \u00e0s muitas solicita\u00e7\u00f5es pol\u00edticas desses tempos exaltantes e conturbados do p\u00f3s-revolu\u00e7\u00e3o) de nele fazer publicar, tamb\u00e9m na \u00faltima p\u00e1gina, um copioso relato dos preparativos do levantamento militar no Quartel da Figueira, acompanhado de uma \u201c<strong><em>magn\u00edfica e meticulosa reportagem fotogr\u00e1fica do Jorge<\/em><\/strong>(<strong>9<\/strong>). <strong><em>Naquele tempo o JN n\u00e3o era o que \u00e9 hoje, era um len\u00e7ol assim<\/em><\/strong>\u201d- abre as m\u00e3os de par em par \u2013 <strong>\u201c<em>uma p\u00e1gina era pano para muitas mangas<\/em><\/strong> &#8211; <strong><em>e as not\u00edcias eram ditadas por telefone e depois\u00a0 refundidas pela redac\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d<\/strong>. Quanto \u00e0s fotos, <strong>\u201c<em>eram<\/em> <em>remetidas, ou os rolos, pela CP, e no Porto eram levantados na esta\u00e7\u00e3o e revelados no laborat\u00f3rio do jornal. Era assim que se fazia jornalismo\u201d. <\/em><\/strong>Depois disso e vendo-se livres das repres\u00e1lias de Bissaya e da ac\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia pol\u00edtica, entretanto desmantelada, decidiram \u201c<em><strong>fazer alguma coisa.<\/strong>\u201c <\/em>&#8211; jornalismo em liberdade-<em> \u201c<strong>Fomos a Mira, onde havia uma \u201ccol\u00f3nia de f\u00e9rias\u201d do Bissaya e descobrimos que a tipografia que existia em Mira pertencia \u00e0 \u201cCasa do rapaz\u201d do Bissaya e indagando, perguntando a este e \u00e0quele,\u00a0 descobrimos <\/strong><\/em>&#8211; surpresa &#8211;<em> <strong>que as m\u00e1quinas que l\u00e1 estavam eram as mesmas que tinham sido apreendidas pela PIDE em 1937 \u00e0 \u201cVoz da Justi\u00e7a\u201d<\/strong><\/em>(10) do Z\u00e9 Ribeiro(11)\u201d<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mas foi realmente s\u00f3 ap\u00f3s o 25 de Abril que M\u00e1rio Bert\u00f4 se dedicou ao teatro. Antes da revolu\u00e7\u00e3o dedicava-se a um g\u00e9nero ligeiro, com n\u00fameros de revista e de \u201cvariedades\u201d<em>, <strong>\u201ccomo imitador, animador, fantasista &#8211; fazia imita\u00e7\u00f5es do Salazar, do Fidel Castro e do J\u00e2nio Quadros, por exemplo. Era o humor \u201cautorizado\u201d e como tal in\u00f3cuo, mas mesmo assim at\u00e9 a publicidade aos espect\u00e1culos em que participei passava pela censura\u201d <\/strong><\/em>e em todos os que fez no norte do pa\u00eds foi vigiado por um agente da PIDE,<em> <strong>\u201cfacto que s\u00f3 vim a descobrir uma vez no regresso de um espect\u00e1culo em Vila Me\u00e3: j\u00e1 no Porto, num restaurante da rua do Bonjardim, sentou-se a meu lado um amigo de longa data, com quem ali\u00e1s tinha fundado um outro grupo amador, que me quer apresentar um amigo. &#8211; \u00d3 Pardal, sente-se aqui com a gente e tal, disse-lhe ele. O pardal senta-se e apresenta-se e diz que j\u00e1 me conhecia, que era agente da PIDE e que o seu trabalho era seguir-me para onde eu fosse dar espect\u00e1culos.&#8221;<\/strong> <\/em>Mas havia mais, e pior: foi quando descobriu que o \u201camigo\u201d que lhe tinha apresentado o <em>pardal da pide<\/em>,<em> <strong>\u201cera coronel da Legi\u00e3o Portuguesa<\/strong><\/em><strong>(12)<em>\u201d<\/em><\/strong><em>. <\/em>Mas viveu muitos outros epis\u00f3dios igualmente p\u00edcaros, quase tr\u00e1gicos ou quase c\u00f3micos, de t\u00e3o p\u00edcaros. <em><strong>Uma vez, na Murtosa, num espect\u00e1culo numa casa pequenina, era assim como o Trindade, tinha tamb\u00e9m assim os camarotes. Estava cheia mas a malta, n\u00e3o sei porqu\u00ea, talvez receosa, permanecia indiferente, n\u00e3o estava a reagir ao esfor\u00e7o dos artistas; quando foi a minha vez e cheguei \u00e0 \u00faltima imita\u00e7\u00e3o, a do Salazar, (a imita\u00e7\u00e3o era dissimulada, como \u00e9 \u00f3bvio) h\u00e1 um tipo num dos camarotes que n\u00e3o resiste, levanta-se e desata aos gritos ah e tal se fosses o gajo dava-te dois tiros! Ainda me apercebi que um dos dois guardas republicanos ao fundo da sala tinha desaparecido. Quando sa\u00ed, um dos meus colegas disse-me que tinham levado o infeliz do camarote. No fim do espect\u00e1culo fomos \u00e0 esquadra onde os guardas estavam convencid\u00edssimos que tinham detido um perigoso comunista que queria matar o \u201cnosso senhor presidente do conselho\u201d; vimo-nos gregos para os convencer que a imita\u00e7\u00e3o n\u00e3o era do \u201cpresidente do conselho\u201d mas do meu avozinho e l\u00e1 soltaram o infeliz\u201d. <\/strong><\/em>Outra vez quase foi levado ele pr\u00f3prio para a esquadra, por causa do mesmo <em>n\u00famero<\/em>, num espect\u00e1culo no velho Pal\u00e1cio de Cristal, no Porto. Foi salvo pela interven\u00e7\u00e3o do\u00a0 governador-civil em pessoa, <strong><em>\u201cum sujeito que era pai do gajo que mais tarde, depois do 25 de Abril, foi presidente da C\u00e2mara de<\/em> <em>Marco de Canavezes\u201d<\/em><\/strong>, que at\u00e9 tinha apreciado a imita\u00e7\u00e3o e, n\u00e3o a considerando nada ofensiva do <em>senhor presidente do conselho,<\/em> fez quest\u00e3o de o ir cumprimentar ao camarim<em>. <strong>\u201cEstas coisas passavam-se. A malta de hoje n\u00e3o faz ideia, tem dificuldade em acreditar\u201d.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quando se instalou na Figueira, apesar de ter logo participado num espect\u00e1culo de Natal, com um n\u00famero infantil, para benefic\u00eancia, no sal\u00e3o dos Bombeiros Volunt\u00e1rios, M\u00e1rio n\u00e3o conhecia ningu\u00e9m. Um dia ia a passar na Rua da Rep\u00fablica e ouviu m\u00fasica. Era a sede da Naval; entrou <em><strong>\u201cestava l\u00e1 uma tropa nos comes-e-bebes, mais nos bebes que nos comes. Um deles reconheceu-me de uma entrevista que eu tinha dado uns tempos antes \u00e0 revista Plateia. Quiseram logo que eu participasse no espect\u00e1culo deles, num intervalo da orquestra, na altura era a orquestra casino, que fazia as matin\u00e9s e tal. E j\u00e1 n\u00e3o me deixaram sair, tive depois que andar com eles a correr as capelas todas, ah \u00e9 o artista do Porto que veio pra c\u00e1 viver, diziam eles\u201d<\/strong>. <\/em>Enturmado na bo\u00e9mia, tamb\u00e9m depressa se integrou nos meios do <em>reviralho<\/em>: <strong><em>\u201cno bilhar com o Dr. Rui Alves e o Dr. Luciano;<\/em> <em>com o Z\u00e9 Ribeiro cheguei a ter algumas reuni\u00f5es l\u00e1 em casa; e com a Dn\u00aa Alzira Fraga. Da malta \u201cjovem\u201d convivi com o Z\u00e9 Martins<\/em>(13)<em> e com o Lopes Curto fui a todo o lado, cheguei a ir a reuni\u00f5es a Poiares, numa farm\u00e1cia, com o Dr. Arnault (mais\u00a0 tarde criador do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade)\u201d<\/em><\/strong><em> \u2013 <\/em>isto porque, antes de Abril, todos os anos, a 5 de Outubro, os democratas da Figueira celebravam a Rep\u00fablica num grande repasto de confraterniza\u00e7\u00e3o no Tubar\u00e3o (restaurante) e nesse ano, ele foi convidado a vir \u00e0 Figueira.<em> <\/em><strong><em>\u201cFoi num ano de \u201celei\u00e7\u00f5es\u201d em que o nosso candidato (das for\u00e7as democr\u00e1ticas) era o professor M\u00e1rio Silva<\/em>(14)<em> \u2013 o pai do pintor (fui muito amigo de ambos)<\/em>. <em>A pol\u00edcia estava toda \u00e0 porta, o Tubar\u00e3o estava cercado, e \u00e9 curioso que havia um fot\u00f3grafo, que se dizia que tinha vindo do Porto e tinha tomado conta do caf\u00e9 Ca\u00e7ador, que andava por l\u00e1 a tirar fotografias, fotografou tudo e todos e&#8230; passado um bocado o S\u00e1 Pinto (\u201cdign\u00edssimo\u201d pol\u00edcia da nossa pra\u00e7a) chega l\u00e1 \u201cMeuxenhores, j\u00e1 tiberam tempo d&#8217;acabar\u201d<\/em><\/strong><em> <\/em>e vai \u00e0 mesa e pergunta quem \u00e9 o respons\u00e1vel pelo <em>ajuntamento<\/em>; Cristina Torres levanta-se e diz \u201cSou eu\u201d.<em> <strong>\u201cEst\u00e3o a cham\u00e1-la ao telefone\u201d<\/strong>. <\/em>A velha senhora atravessa a longa sala de refei\u00e7\u00f5es e depois tamb\u00e9m o caf\u00e9 a todo o comprimento, sempre acompanhada do Melo Biscaia(<strong>15<\/strong>) e de alguns outros, at\u00e9 onde estava o telefone. <em><strong>\u201cO pessoal todo a dizer n\u00e3o v\u00e1s, n\u00e3o v\u00e1s e nesse momento, o M\u00e1rio Rente, que era um tip\u00f3grafo sobejamente do reviralho, levanta-se, sobe acima de uma cadeira e grita: viva a democracia, viva a liberdade. O S\u00e1 Pinto olha pra ele de vi\u00e9s e segue Cristina Torres at\u00e9 ao telefone onde lhe diz que n\u00e3o existe chamada nenhuma e a insta a desmobilizar a reuni\u00e3o \u201csen\u00e3o tinha ordens para actuar\u201d. Depois foi o Melo Biscaia que tomou a palavra \u201cmeus amigos, a pol\u00edcia n\u00e3o nos permite ocupar este espa\u00e7o e prosseguir este conv\u00edvio por isso vamos ter que sair\u201c, e sa\u00edmos &#8211; vamos aonde, onde vamos, e fomos para Coimbra, onde havia um com\u00edcio da oposi\u00e7\u00e3o, no Avenida, com o Prof. M\u00e1rio Silva\u201d.<\/strong> <\/em>Quando chegaram, o com\u00edcio j\u00e1 tinha come\u00e7ado, o teatro tamb\u00e9m estava cercado e a pol\u00edcia n\u00e3o deixou entrar mais ningu\u00e9m porque \u201cestava lotado\u201d, <em><strong>\u201dainda insistimos, claro, \u00e9ramos muitos e sab\u00edamos que n\u00e3o era verdade\u201d<\/strong>, <\/em>mas o guarda foi esclarecedor: <em><strong>\u201cse os senhores continuam, eu tenho que chamar apoio e os senhores sabem para onde v\u00e3o<\/strong>\u201d<\/em>. Era assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas foi ent\u00e3o ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o que M\u00e1rio come\u00e7a a fazer teatro. <strong><em>\u201cCom a liberdade comecei logo, at\u00e9 dentro do partido(16), a fazer teatro para crian\u00e7as<\/em>. <em>Eu estava no executivo (a direc\u00e7\u00e3o local) e tamb\u00e9m estava na direc\u00e7\u00e3o da c\u00e9lula dos comerciantes.\u201d<\/em><\/strong><em> <\/em>Tinha entretanto criado na Naval, com a coniv\u00eancia de Rui Alves, que era o presidente do clube, uma sec\u00e7\u00e3o cultural, reavivando um grupo c\u00e9nico que estava encerrado havia mais de cinquenta anos.<em> <\/em><strong><em>\u201cUm dia veio c\u00e1 um elemento do comit\u00e9 central. E na reuni\u00e3o, quis saber quem \u00e9 que estava em colectividades, instando-nos a levar \u00e0 cena preferencialmente textos da autoria de \u201ccamaradas\u201d. Ent\u00e3o porqu\u00ea, disse eu &#8211; ah e tal os direitos de autor e tudo isso&#8230; Est\u00e1 claro que recusei. Disse-lhe que nunca tinha escolhido textos por conveni\u00eancia e muito menos pela filia\u00e7\u00e3o ou cart\u00e3o de s\u00f3cio do autor mas pelo que a minha sensibilidade me dizia que era eficiente ou oportuno. E continuei a faz\u00ea-lo. Mais tarde ainda fui chamado a Coimbra, a uma reuni\u00e3o com outro elemento do comit\u00e9 central que me disse que o partido n\u00e3o aceitava bem a minha recusa em obedecer \u00e0 tal directiva. Eu disse muito bem, ent\u00e3o o partido que fa\u00e7a. Desvinculei-me de todas as responsabilidades partid\u00e1rias e at\u00e9 da milit\u00e2ncia. \u00c9 claro que continuo com o mesmo ideal, \u00e9 aquilo que eu encontro mais pr\u00f3ximo do que sonho e pretendo, \u00e9 nele que continuo a votar e o \u00fanico em que apesar de tudo me revejo. Mas sa\u00ed &#8211; porque se antigamente tinha a PIDE atr\u00e1s de mim, a dizer-me o que dizer e como &#8211; agora, com a liberdade, n\u00e3o estava para ter o meu partido a fazer-me o mesmo. Foi assim que criei o grupo na Naval, que depois cresceu. Tenho muito orgulho, por exemplo no \u201cBaixinho\u201d<\/em>(17)<em> que era nosso companheiro e depois, incitado por mim e por outros foi estudar teatro para \u00c9vora, e hoje \u00e9 o actor que todos reconhecemos\u201d<\/em><\/strong><em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida M\u00e1rio prop\u00f4s-se criar um outro projecto teatral, desta vez na Assembleia Figueirense. Foi um processo penoso e mal sucedido porque n\u00e3o havia palco, era um pequeno palanque onde <em><strong>\u201cencen\u00e1mos um mon\u00f3logo, da autoria do Ant\u00f3nio Tavares, e ficamos por a\u00ed porque o apresent\u00e1mos em estreia para a direc\u00e7\u00e3o e s\u00f3cios e n\u00e3o apareceu ningu\u00e9m.\u201d<\/strong><\/em> Depois, aceitou um convite dos Grupo Caras Direitas, onde esteve v\u00e1rios anos. <em><strong>\u201cA\u00ed sim, tive o prazer de ter a colabora\u00e7\u00e3o da direc\u00e7\u00e3o, o presidente vinha para o palco trabalhar com a gente, nada que ver com o senhor Quim de Sousa da Assembleia Figueirense.\u201d<\/strong> <\/em>Foram encenadas v\u00e1rias pe\u00e7as e uma delas, \u201cAlgu\u00e9m ter\u00e1 de morrer\u201d, de Luis Francisco Rebelo, esteve em cena v\u00e1rios anos. <em><strong>\u201cTivemos, no entanto, que combater muitos preconceitos, ou ideias feitas, como a do teatro como uma recita\u00e7\u00e3o cantada, como a tabuada em mau estilo vicentino, de textos que nem sequer s\u00e3o em verso.\u201d<\/strong> <\/em>Outra ideia feita, \u00e9 uma fixa\u00e7\u00e3o obsessiva e muito literal no guarda-roupa \u2013 que tem que ser, porque-tem-de-ser como o da \u00e9poca, <em><strong>\u201ctive muita dificuldade em convenc\u00ea-los que apesar de um texto ser antigo, pode e deve, se estiver actual, ser apresentado sem o cerimonial pretensioso de uma reconstitui\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 evidente que essa fixa\u00e7\u00e3o nos cen\u00e1rios e no guarda-roupa continua, infelizmente, a persistir nas mentalidades de muitos amadores das nossas colectividades\u201d<\/strong>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez, no fim de um festival de teatro amador, foi convidado por respons\u00e1veis de uma colectividade do sul do concelho, porque o ensaiador se tinha despedido <em>\u00e0 francesa<\/em> e porque tinham ficado impressionados pelo trabalho que o grupo dos Caras tinha a\u00ed apresentado. <strong><em>\u201cEu recusei, porque ainda estava ligado aos Caras e porque gostava de l\u00e1 estar, al\u00e9m disso havia as desloca\u00e7\u00f5es para ensaios e tal&#8230;<\/em> \u201cah, a gente paga-lhe tudo\u201d &#8211; <em>eu continuei a recusar. <\/em>\u201cEnt\u00e3o, quanto \u00e9 que lhe pagam?\u201d <em>Eu olhei para eles e disse-lhes \u201colhem, n\u00e3o estou mesmo interessado\u201d, <\/em>\u201c- como <em>n\u00e3o est\u00e1 interessado<\/em>?O senhor diga quanto quer, que a gente paga-lhe\u201d.<em> Pior ainda, pensei. Mas depois expliquei-lhes: \u201colhem, eu sou cabeleireiro, \u00e9 o meu trabalho e \u00e9 dele que vivo. O teatro \u00e9 a ajuda que tenho para continuar a viver, eu amo o teatro, quero teatro, preciso do palco e gosto de representar, mas nunca o fiz por dinheiro\u201d &#8211; <\/em>\u201cAh, pens\u00e1vamos que lhe pagavam\u201d<em> &#8211; \u201cN\u00e3o, n\u00e3o pagam &#8211; que eu n\u00e3o quero\u201d. Pediram-me desculpa, e ficamos assim.\u201d<\/em><\/strong><em> <\/em>E sempre foi assim, toda a vida. At\u00e9 com o cinema, mais recentemente.<\/p>\n\n\n\n<p>O cinema surgiu-lhe ap\u00f3s a morte da esposa, <em><strong>\u201cporque depois eu parei com o teatro, n\u00e3o tinha coragem para estar em palco&#8230; porque ela assistia aos ensaios e quando tinha c\u00e1 os netos ela levava-os e tudo isso&#8230; e tive muita dificuldade em voltar a encontrar-me com o palco. Mas depois surgiu o Lita(18) que precisava de gente para participar num filme e algu\u00e9m lhe tinha falado de mim. Eu n\u00e3o o conhecia (ele \u00e9 da idade das minhas filhas) mas estou sempre dispon\u00edvel, n\u00e3o estou fechado a ningu\u00e9m, e disse-lhe \u201cse \u00e9 para com\u00e9dia muito bem; se \u00e9 para drama \u00e9 mais dif\u00edcil porque come\u00e7o a chorar logo \u00e0s primeiras palavras.\u201d <\/strong><\/em>Desde ent\u00e3o M\u00e1rio j\u00e1 interpretou um bom punhado de filmes, incluindo um drama e at\u00e9 uma pequena participa\u00e7\u00e3o num filme que, para sua surpresa, obteve um pr\u00e9mio num festival de cinema LGBT, no Brasil. Sempre com a mesma atitude dispon\u00edvel, aberta a todos e com o mesmo empenho <em>desinteressado<\/em> e generoso \u2013 como verdadeiro <em>amador <\/em>que sempre tem sido. Toda a vida.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1 &#8211; <em>Companhia Grupo de Teatro Modestos &#8211; <\/em>Fundada em 1902, no Porto, uma das mais influentes da cidade, popularmente conhecida por \u201cModestos\u201d. Foi escola de muitos actores e levou \u00e0 cena pe\u00e7as que ficaram na mem\u00f3ria colectiva do Porto, al\u00e9m de ter sempre abra\u00e7ado uma componente solid\u00e1ria: sob o lema &#8220;Arte, caridade e benefic\u00eancia&#8221;, as receitas de bilheteira ajudaram diversas institui\u00e7\u00f5es e bombeiros locais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>2 \u2013 <em>Ant\u00f3nio Pedro <\/em>(1909-1966) &#8211; actor, encenador, escritor, poeta, jornalista pintor, antiqu\u00e1rio e coleccionador de arte. Foi um dos introdutores do surrealismo em Portugal e fundador, director, figurinista e encenador do TEP, de 1953 a 1961.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>3 &#8211; <\/strong><strong><em>Ruy Lu\u00eds Gomes<\/em><\/strong><strong> <em>(1905-1984) &#8211;<\/em> matem\u00e1tico e um dos fundadores do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas Abel Salazar. Era professor catedr\u00e1tico na Universidade do Porto quando foi demitido (em 1947, tal como M\u00e1rio Augusto da Silva, de quem foi amigo desde os estudos em Coimbra) por ter reclamado contra a pris\u00e3o pela PIDE de uma aluna sua. Entre 1945 e 1957 esteve preso em, pelo menos, dez ocasi\u00f5es, devido \u00e0 sua atividade pol\u00edtica. <\/strong><strong>Presidiu \u00e0 Comiss\u00e3o Central do Movimento de Unidade Democr\u00e1tica (MUD) at\u00e9 \u00e0 sua desagrega\u00e7\u00e3o, em 1947. Foi vice-presidente da Comiss\u00e3o Distrital do Porto da Candidatura do General Norton de Matos \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em 1949. O Partido Comunista Portugu\u00eas promoveu a sua candidatura \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 1951. Esta candidatura foi rejeitada pelo Supremo Tribunal de Justi\u00e7a.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>4 &#8211; <em>A Revolta de 31 de Janeiro de 1891<\/em> foi o primeiro movimento revolucion\u00e1rio que teve por objectivo a implanta\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica em Portugal. Hasteada uma bandeira vermelha e verde, com fanfarra, foguetes e vivas \u00e0 Rep\u00fablica, a multid\u00e3o decidiu subir a Rua de Santo Ant\u00f3nio, em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 Pra\u00e7a da Batalha, com o objectivo de tomar a esta\u00e7\u00e3o de Correios e Tel\u00e9grafos. No entanto, o festivo cortejo foi barrado pela fuzilaria de um destacamento da Guarda Municipal posicionado na escadaria da igreja de St\u00ba Ildefonso, no topo da rua: 12 mortos e quarenta feridos. Em mem\u00f3ria desta revolta, logo que a Rep\u00fablica foi implantada em Portugal, a ent\u00e3o designada Rua de Santo Ant\u00f3nio foi re-baptizada para Rua 31 de janeiro.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>5 &#8211; <em>Fernando Bissaya Barreto<\/em> (<\/strong><strong>1886-1974) &#8211; professor de Medicina, pol\u00edtico e benem\u00e9rito <em>entrepreneur<\/em>. Na juventude, pertenceu, quando frequentava o 4.\u00ba ano de Medicina, ao comit\u00e9 civil da organiza\u00e7\u00e3o carbon\u00e1ria aut\u00f3noma de Coimbra, &#8220;Carbon\u00e1ria Portug\u00e1lia&#8221;, em Janeiro de 1910. Ao mesmo tempo, fez parte da loja ma\u00e7\u00f3nica <em>Revolta<\/em>&nbsp; com o nome simb\u00f3lico de Saint-Just, tendo atingido o 5.\u00ba grau do <em>rito franc\u00eas<\/em>. Depois, foi deputado \u00e0 Assembleia Constituinte (1911), dirigente do <em>Partido Republicano Evolucionista<\/em> e logo-a-seguir da Uni\u00e3o Liberal Republicana. Ap\u00f3s o golpe de estado de 28 de Maio de 1926 aderiu \u00e0 Uni\u00e3o Nacional e parou de <em>evoluir<\/em>. Mas tornou-se uma das mais emblem\u00e1ticas e influentes emin\u00eancias pardas do regime salazarista e criou, sempre com fundos p\u00fablicos mas em nome pessoal, entre muitas outras coisas, o parque tem\u00e1tico <em>portugal dos pequenitos<\/em>.<\/strong> <strong>Hoje ainda existe uma <em>Funda\u00e7\u00e3o<\/em> com o seu nome.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>6 &#8211; Afonso Cruz <\/em><\/strong><strong>&#8211; fot\u00f3grafo com est\u00fadio aberto na Rua C\u00e2ndido dos Reis durante d\u00e9cadas. Velho oposicionista e pioneiro da fotografia a\u00e9rea em Portugal (av\u00f4 do conhecido escritor com o mesmo nome e irm\u00e3o do pioneiro da avia\u00e7\u00e3o Humberto Cruz).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>7 \u2013 Gilberto Vasco &#8211;<\/em><\/strong><strong> resistente comunista, m\u00e9dico pediatra com consult\u00f3rio na Figueira desde os anos cinquenta.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>8 \u2013 <em>Ant\u00f3nio Augusto Menano<\/em> \u2013 poeta, cr\u00edtico liter\u00e1rio e artista-pl\u00e1stico. Foi gestor hospitalar e vereador <\/strong><strong>da C\u00e2mara Municipal da Figueira da Foz .<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>9 &#8211; <em>Jorge Dias<\/em> \u2013 fot\u00f3grafo oriundo da Marinha-Grande que na \u00e9poca cumpria servi\u00e7o militar na Figueira e depois se estabeleceu na cidade com um est\u00fadio de Fotografia, no Passeio Infante D. Henrique (Jardim Municipal).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>10 \u2013<em> A Voz da Justi\u00e7a<\/em> \u2013 jornal republicano que se publicou na Figueira da Foz de 1902 a 1937 e foi encerrado&nbsp; pela PIDE, que apreendeu tamb\u00e9m a tipografia e deteve o seu principal redactor, Jos\u00e9 da Silva Ribeiro.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>11 \u2013<em> Jos\u00e9 da Silva Ribeiro (1894-1986)<\/em> \u2013 teatr\u00f3logo e director, desde 1915, do grupo c\u00e9nico da SIT (Sociedade de Instru\u00e7\u00e3o Tavaredense). &nbsp;Republicano e democrata convicto, com a altera\u00e7\u00e3o do regime pol\u00edtico, em 1926, sendo funcion\u00e1rio p\u00fablico, foi transferido compulsivamente para a C\u00e2mara de Cantanhede, mas n\u00e3o tomou posse, aceitando o convite do seu conterr\u00e2neo Manuel Jorge Cruz, para ir secretariar o jornal \u201cA Voz da Justi\u00e7a\u201d, onde tamb\u00e9m foi um jornalista acutilante e brilhante cr\u00edtico teatral. Foi preso em 1933, sendo deportado para Angra do Hero\u00edsmo, onde esteve cerca de um ano em regime de incomunicabilidade. Em 1937 o jornal \u201cA Voz da Justi\u00e7a\u201d foi suspenso pela censura, a Tipografia Popular, da qual era s\u00f3cio, saqueada e encerrada pela PIDE, e ele de novo detido. Dedicou toda a sua vida \u00e0 liberdade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao teatro.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>12 \u2013 <em>Legi\u00e3o Portuguesa (LP)<\/em> &#8211; organiza\u00e7\u00e3o, integrando uma mil\u00edcia, que funcionou durante o per\u00edodo do Estado Novo. Criada em 1936 com o objetivo de &#8220;<em>defender o patrim\u00f3nio espiritual da Na\u00e7\u00e3o e combater a amea\u00e7a comunista e o anarquismo<\/em>&#8220;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>13 &#8211; Jos\u00e9 Fernandes Martins <\/em><\/strong><strong>(1941-2004) jornalista. Fundador e director do \u201cBarca Nova\u201d, <em>Seman\u00e1rio Democr\u00e1tico e Progressista<\/em>, que se publicou na Figueira entre 1977 e 1983.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>14 \u2013 <em>M\u00e1rio Augusto da Silva<\/em> \u2013 (1901-1977) Bolseiro na Universidade de Paris a partir de 1925, onde foi assistente de Madame Curie, e a\u00ed se doutorou em Ci\u00eancias em 1928. Em 1929 iniciou em Coimbra trabalhos com vista ao estudo dos n\u00facleos at\u00f3micos, que tiveram de ser interrompidos por exig\u00eancia da universidade. Juntamente com o Professor de Medicina \u00c1lvaro de Matos, criou em 1931 o Instituto do R\u00e1dio de Coimbra. Apesar de pronto a funcionar e de Madame Curie ter aceite vir \u00e0 inaugura\u00e7\u00e3o, o que devia ter sido o primeiro Instituto de F\u00edsica Nuclear portugu\u00eas e tamb\u00e9m o primeiro Instituto de Oncologia nunca foi oficializado. Em 1941 foi eleito membro da &#8220;American Physical Society&#8221;. Foi um dos mais destacados f\u00edsicos portugueses do s\u00e9culo vinte. Professor catedr\u00e1tico em Coimbra, foi afastado compulsivamente do ensino por motivos pol\u00edticos em 1947 e reintegrado apenas em 1971. Ainda colaborou no planeamento do Museu Nacional da Ci\u00eancia e da T\u00e9cnica (de que veio a ser Director em 1974) e na cria\u00e7\u00e3o do Museu da F\u00edsica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>15<em> &#8211; Luis de Melo Biscaia<\/em> (1928-2015) &#8211; advogado com escrit\u00f3rio num largo que agora leva o seu nome. Prestigiado anti-fascista, integrou a campanha de Humberto Delgado e mais tarde a assembleia Constituinte. Integrou o governo de Lurdes Pintasilgo e foi autarca na Figueira por tr\u00eas mandatos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>16 \u2013 <em>Partido Comunista Portugu\u00eas<\/em>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>17 \u2013 <em>Ant\u00f3nio Dur\u00e3es (1961)<\/em> &#8211; actor e encenador profissional. Vive em Braga desde 1986. \u00c9, desde 2000, professor da disciplina de Interpreta\u00e7\u00e3o no Curso de Teatro da Escola Superior de M\u00fasica e das Artes do Espect\u00e1culo, do Porto.&nbsp; Antes de se tornar profissional interpretou e encenou duas pe\u00e7as na sec\u00e7\u00e3o cultural da Ass. Naval 1\u00ba de Maio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>18 &#8211; <em>Lu\u00eds Albuquerque (1963)<\/em> &#8211; ex-jogador de basquetebol, m\u00fasico e cineasta.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Fernando Campos Vida e causas de um amador apaixonado \u201cEst\u00e1 no pensamento como ideia;e o vivo e puro amor de que sou feito,Como a mat\u00e9ria simples busca a forma.\u201d&#8211; Lu\u00eds de Cam\u00f5es, Transforma-se o amador na cousa amada Parece um velho marinheiro \u2013 mas n\u00e3o dos que perdeu as gra\u00e7as do mar. 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