{"id":786,"date":"2025-04-29T19:16:53","date_gmt":"2025-04-29T19:16:53","guid":{"rendered":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=786"},"modified":"2025-05-04T08:27:30","modified_gmt":"2025-05-04T08:27:30","slug":"um-medronhal-na-serra-da-boa-viagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/?p=786","title":{"rendered":"Um medronhal na Serra da Boa Viagem"},"content":{"rendered":"\n<p><em>por <strong>Carolina Campos<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-kubio-color-6-color has-text-color has-link-color wp-elements-0b8279e374dd3d4b7b6f4add89f788de\">Quando pensamos na Serra da Boa Viagem, as esp\u00e9cies que nos v\u00eam \u00e0 cabe\u00e7a primeiro ser\u00e3o talvez os pinheiros-bravos, os eucaliptos e as ac\u00e1cias que hoje em dia predominam, gra\u00e7as \u00e0s arboriza\u00e7\u00f5es dos anos de 1910-30. Se calhar tamb\u00e9m cedros. Mas h\u00e1 pelo menos 200 anos que temos registos de haver por l\u00e1 tamb\u00e9m medronheiros (<em>Arbutus unedo<\/em>), e ainda persistem aqui e ali os chamados medronhais, pequenos habitats com um conjunto de esp\u00e9cies de plantas associadas a essa \u00e1rvore, e esp\u00e9cies animais que por sua vez se associam \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o. Em 2018 foi feito um projecto de final de licenciatura em Biologia que estudou as comunidades de plantas e invertebrados de um destes medronhais, e segue-se aqui um relato resumido dos resultados.<br><br>Na zona da Serra da Boa Viagem que foi estudada, um rect\u00e2ngulo de menos de 1km\u00b2 em que foram identificadas 175 esp\u00e9cies, os solos t\u00eam duas particularidades: s\u00e3o calc\u00e1rios, e s\u00e3o muito perturbados, por caminhantes, ciclistas, motociclistas, e pelo rebuli\u00e7o da estrada mesmo ao lado. Isto formou aquilo a que se chama um mosaico: uma jun\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies t\u00edpicas de medronhais, de solos calc\u00e1rios, e de ambientes ruderais, isto \u00e9, muito perturbados por humanos. Foi atrav\u00e9s desta componente de flora ruderal que foi l\u00e1 parar uma diversidade admir\u00e1vel de orqu\u00eddeas selvagens, 6 esp\u00e9cies que podem ser vistas na primeira imagem, e ainda por cima com nomes bem engra\u00e7ados: rapazinhos ou erva-do-homem-enforcado (1, <em>Aceras anthropophorum<\/em>), satiri\u00e3o-menor (2, <em>Anacamptis pyramidalis<\/em>), heleborina-branca (3, <em>Cephalanthera longif\u00f3lia<\/em>), erva-abelha ou alpivre ou abelheira (4, <em>Ophrys apifera<\/em>), erva-vespa ou abelhinha (5, <em>Ophrys lutea<\/em>), e erva-espelho, ou abelh\u00e3o, ou abelhinha-lusitana (6, <em>Ophrys speculum<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n\n\n<p>O medronheiro \u00e9 uma \u00e1rvore particular: os frutos amadurecem ao longo de grande parte do ano e ela chega por isso a ter flores e frutos ao mesmo tempo, e portanto atrai muitos polinizadores e animais frug\u00edvoros. Forma associa\u00e7\u00f5es especializadas com algumas esp\u00e9cies de insectos, como a borboleta-do-medronheiro (<em>Charaxes jasius<\/em>), da qual foi vista aqui uma lagarta, e as plantas que comp\u00f5em o resto da vegeta\u00e7\u00e3o por sua vez tamb\u00e9m atraem insectos tanto generalistas como mais especializados. As flores do sarga\u00e7o, do estevinho e da roselha (<em>Cistus monspeliensis, Cistus salviifolius e Cistus crispus<\/em>) e do pilriteiro (<em>Crataegus monogyna<\/em>), vistosas e abundantes como s\u00e3o, atraem muitos dos insectos polinizadores. As orqu\u00eddeas, por sua vez, t\u00eam as suas estrat\u00e9gias, algumas oportunistas: v\u00e1rias delas, como os nomes indicam, parecem-se com abelhas, a abelheira imita tamb\u00e9m o odor de uma abelha f\u00eamea, e a heleborina-branca imita o p\u00f3len do estevinho.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">Algumas das esp\u00e9cies de insectos vistas no local: 1 \u2013 Jaquet\u00e3o-das-flores-mediterr\u00e2nico (<em>Oxythyrea funesta<\/em>) e <em>Empis tessellata<\/em> (a mosca) numa flor de sarga\u00e7o (<em>Cistus monspeliensis<\/em>); 2 &#8211; <em>Oncocephalus gularis<\/em>; 3 &#8211; <em>Chrysanthia viridissima<\/em> numa flor de roselha (<em>Cistus crispus<\/em>); 4 &#8211; <em>Graphosoma lineatum <\/em>numa flor de t\u00e1psia-menor (<em>Thapsia minor<\/em>); 5 \u2013 Formiga-carpinteira (<em>Camponotus cruentatus<\/em>) em flores de pilriteiro (<em>Crataegus monogyna<\/em>); 6 &#8211; Lagarta de <em>Euphydryas aurinia<\/em> em folhas de pilriteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns insectos s\u00e3o solit\u00e1rios, outros sociais, uns muito abundantes e outros pouco, e o resultado final aqui foi uma comunidade com as esp\u00e9cies distribu\u00eddas de forma complexa; relativamente poucas esp\u00e9cies de escaravelhos mas muitos indiv\u00edduos de cada uma, por exemplo. Uma explica\u00e7\u00e3o para isto poder\u00e1 ser a teoria segundo a qual \u00e0s vezes esp\u00e9cies muito parecidas competem demasiado pelos mesmos nichos e alimentos, o que faz com que as esp\u00e9cies mais abundantes passem a ser mais diferentes umas das outras.<br><br>Olhando bem para as esp\u00e9cies vistas e os h\u00e1bitos de cada uma, s\u00e3o-nos revelados v\u00e1rios n\u00edveis de cadeias alimentares. Plantas como o anafe-menor (<em>Melilotus indicus<\/em>) e ran\u00fanculos (<em>Ranunculus sp.<\/em>) tinham af\u00eddeos, e andavam por l\u00e1 tamb\u00e9m esp\u00e9cies de formigas (<em>Camponotus cruentatus e Lasius niger<\/em>) que se alimentam de af\u00eddeos: plantas atraem insectos que por sua vez atraem outros insectos que se alimentam deles. Ou ent\u00e3o outros como a mosca <em>Thaumatomyia notata<\/em>, que se alimenta exclusivamente de af\u00eddeos em adulta mas de ra\u00edzes em larva. Alargando mais as possibilidades de liga\u00e7\u00f5es, podemos referir o jaquet\u00e3o-das-flores-mediterr\u00e2nico (<em>Oxythyrea funesta<\/em>), um escaravelho que para al\u00e9m de se alimentar de flores em adulto, pode-se alimentar em larva de excrementos de coelho, e ca\u00e7adores confirmaram que esta zona tem coelhos. Andando por l\u00e1, eles comer\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, e assim se completa o c\u00edrculo, o chamado ciclo de nutrientes.<br><br>Em rela\u00e7\u00e3o aos polinizadores, foram observados fen\u00f3menos curiosos. Por exemplo, o besouro-capuchinho (<em>Heliotaurus rufficolis<\/em>), uma esp\u00e9cie generalista, foi visto em flores de v\u00e1rias esp\u00e9cies de v\u00e1rias fam\u00edlias em Junho, mas exclusivamente em flores de t\u00e1psia-menor (<em>Thapsia minor<\/em>) em Maio apesar de haver bastantes outras esp\u00e9cies em flor nessa altura. H\u00e1 escaravelhos que preferem flores de cores espec\u00edficas, mas neste caso nem isso funciona como explica\u00e7\u00e3o. O percevejo <em>Graphosoma lineatum<\/em>, por outro lado, s\u00f3 aparecia em flores de t\u00e1psia-menor provavelmente porque \u00e9 essa a fam\u00edlia de plantas que prefere (<em>Apiaceae<\/em>, a fam\u00edlia por exemplo do funcho e da cenoura-brava), e essa esp\u00e9cie era a \u00fanica api\u00e1cea em flor. Pensa-se normalmente que grande parte da poliniza\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por abelhas e abelh\u00f5es, mas aqui a maioria dos insectos polinizadores eram escaravelhos, ao mesmo tempo que na planta com maior diversidade de polinizadores (a t\u00e1psia-menor), metade eram moscas. A zona mediterr\u00e2nica \u00e9, ali\u00e1s, um ponto do mundo com uma particular concentra\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de plantas adaptadas \u00e0 poliniza\u00e7\u00e3o por escaravelhos.<br><br>Depois tamb\u00e9m h\u00e1 os que t\u00eam dietas definidas: o escaravelho <em>Chrysolina americana<\/em>, por exemplo, quase s\u00f3 se alimenta de alecrim (<em>Rosmarinus officinalis<\/em>) e de lavandas. Para al\u00e9m da poliniza\u00e7\u00e3o e da herbivoria, h\u00e1 ainda outro tipo de rela\u00e7\u00e3o que os insectos podem ter com plantas, o parasitismo. Algumas esp\u00e9cies p\u00f5em ovos em folhas, e as larvas ao eclodir escavam t\u00faneis e galerias dentro da folha, que podem ser vistas a olho nu. Este tipo de rela\u00e7\u00e3o \u00e9 normalmente muito espec\u00edfica, cada esp\u00e9cie de insecto faz isso com uma determinada esp\u00e9cie ou grupo de esp\u00e9cies de plantas, e os \u201cdesenhos\u201d que deixa nas folhas s\u00e3o tamb\u00e9m t\u00e3o espec\u00edficos que podem chegar para a identificar. Puderam ser vistas neste ano as galerias esbranqui\u00e7adas que parecem desenhadas a marcador grosso nas folhas de madressilva (<em>Lonicera etrusca<\/em>) que deixa a mosca <em>Phytomyza lonicerae<\/em>, e linhas finas, retorcidas e prateadas nas folhas de sanguinho-das-sebes (<em>Rhamnus alaternus<\/em>) feitas pela tra\u00e7a <em>Bucculatrix alaternella<\/em> \u2013 os nomes latinos das plantas passam para os nomes dos insectos, de t\u00e3o ligados que est\u00e3o. \u00c0s vezes \u00e9 t\u00e3o raro ver os indiv\u00edduos adultos que estas marcas em folhas s\u00e3o o \u00fanico sinal da presen\u00e7a das esp\u00e9cies.<br><br>Noutros casos, o resultado do parasitismo s\u00e3o galhas, crescimentos anormais nas folhas ou caules de plantas, e estas tamb\u00e9m s\u00e3o espec\u00edficas o suficiente para, sabendo em que planta est\u00e3o, levarem a uma identifica\u00e7\u00e3o do insecto que as causou. Por c\u00e1 os carvalhos s\u00e3o particularmente suscept\u00edveis a isto, e h\u00e1 por a\u00ed muitos cobertos de galhas. Neste medronhal havia sinais de duas esp\u00e9cies da fam\u00edlia das chamadas vespas-das-galhas: um carrasqueiro (<em>Quercus coccifera<\/em>) com galhas de <em>Plagiotrochus quercusilicis<\/em>, e uma roseira brava (<em>Rosa sp<\/em>.) com galhas de <em>Diplolepis eglanteriae<\/em>, nos dois casos com aspecto quase de bagas vermelhas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">Galerias e galhas: 1 \u2013 Galerias de <em>Phytomyza lonicerae<\/em> em folhas de madressilva (<em>Lonicera etrusca<\/em>); 2 \u2013 Galerias de <em>Bucculatrix alatenella<\/em> em folhas de sanguinho-das-sebes (<em>Rhamnus alaternus<\/em>); 3 &#8211; Galha de <em>Plagiotrochus quercusilicis<\/em> num carrasqueiro (<em>Quercus coccifera<\/em>); 4 &#8211; Galha de <em>Diplolepis eglanteriae<\/em> numa roseira-brava (<em>Rosa sp<\/em>.).<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda, dentro dos bichinhos pequeninos, as aranhas. No meio de todas estas flores de cores diferentes, vale a pena destacar uma fam\u00edlia, a das aranhas-caranguejo (<em>Thomisidae<\/em>). Elas n\u00e3o tecem teias, p\u00f5em-se em cima de flores e ficam \u00e0 espera de insectos que as v\u00e3o polinizar \u2013 o nome vem das patas da frente serem muito maiores que as de tr\u00e1s, para apanharem as presas. Faz parte desta estrat\u00e9gia de ca\u00e7a por emboscada as pr\u00f3prias aranhas serem muito coloridas: a aranha-caranguejo-verde-pequena (<em>Diaea dorsata<\/em>) \u00e9 na verdade verde, amarela e castanha; a aranha-caranguejo-das-flores (<em>Misumena vatia<\/em>) consegue mudar de cor entre branco e amarelo, como os camale\u00f5es mas mais devagar; e a aranha-caranguejo-de-Napole\u00e3o (<em>Synema globosum<\/em>) tem quatro variantes, machos pretos e f\u00eameas amarelas, vermelhas ou brancas (com um padr\u00e3o a preto que faz lembrar a silhueta ic\u00f3nica de Napole\u00e3o). Nem sempre se p\u00f5em em flores da sua cor, mas acontece muitas vezes e a camuflagem efectivamente funciona. Estudos descobriram que isto pode reduzir a poliniza\u00e7\u00e3o, mas mais numas esp\u00e9cies de plantas que noutras e especialmente com as abelhas-do-mel (<em>Apis mellifera<\/em>). Elas persistem, mesmo assim.<br><br>J\u00e1 houve uma altura em que habitats como os medronhais e tamb\u00e9m os carvalhais predominavam muito mais na Serra da Boa Viagem, mas a tend\u00eancia figueirense para deitar \u00e1rvores abaixo n\u00e3o \u00e9 de agora. No sec. XIX houve muita destrui\u00e7\u00e3o por causa de disputas por posse de terrenos, e antes dos abates para construir estradas ou substituir esp\u00e9cies nativas por esp\u00e9cies invasoras, j\u00e1 se desbastava e queimava vegeta\u00e7\u00e3o para afastar lobos que pudessem atacar o gado, e as clareiras eram depois repovoadas por tojo, urze, giesta e murta. Segundo relatos, em 1911 urze e tojo era quase tudo o que havia, mais algumas oliveiras. Os habitats que se podem ver na Serra s\u00e3o o resultado de toda essa hist\u00f3ria, sem ela poder\u00edamos estar a olhar para floras diferentes, e faunas diferentes atra\u00eddas por elas. No que temos agora, apesar da prolifera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies invasoras e outros danos causados pelo Homem, ainda podemos observar os pormenores intrincados do funcionamento de um ecossistema sem sequer nos afastarmos muito da berma da estrada. Prestar aten\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 alguma coisa, lembra-nos do que \u00e9 preciso proteger.<br><br>Quem quiser conhecer mais pode visitar a Serra, ver na aplica\u00e7\u00e3o iNaturalist o que outros v\u00e3o observando e fotografando l\u00e1, seguir o que n\u00f3s vamos partilhando sobre a biodiversidade da Figueira da Foz, e\/ou ler as seguintes obras, algumas delas dispon\u00edveis na Sala Figueirense da Biblioteca Municipal:<br><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Martins, M. J. da S. (1999). Estudo fitossociol\u00f3gico e cartogr\u00e1fico da paisagem vegetal natural e semi-natural do litoral centro de Portugal entre a Praia de Mira e a Figueira da Foz. Fac. de Ci\u00eancias e Tecnologia da Univ. de Coimbra.<\/li>\n\n\n\n<li>Sousa, R., Carri\u00e7o, G., &amp; Pinto, J. M. S. (2016). Serra da Boa Viagem Dunas de Quiaios e Lavos Ilha da Morraceira &#8211; Elementos da Flora. (Munic\u00edpio da Figueira da Foz, Ed.). Figueira da Foz: Tipografia Cruz &amp; Cardoso.<\/li>\n\n\n\n<li>Rei, M. A. (1925). Arboriza\u00e7\u00e3o da Serra da Boa Viagem da Figueira da Foz (Subs\u00eddios para a sua hist\u00f3ria) 1911 \u2013 1924. Figueira da Foz.<\/li>\n\n\n\n<li>Rei, M. A. (1932). Tese: Arboriza\u00e7\u00e3o. Procuremos fomentar a arboriza\u00e7\u00e3o dos terrenos incultos, como base da riqueza nacional, e teremos cumprido um dos deveres que a Na\u00e7\u00e3o nos imp\u00f5e. Figueira da Foz: Tipografia Popular.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Carolina Campos Quando pensamos na Serra da Boa Viagem, as esp\u00e9cies que nos v\u00eam \u00e0 cabe\u00e7a primeiro ser\u00e3o talvez os pinheiros-bravos, os eucaliptos e as ac\u00e1cias que hoje em dia predominam, gra\u00e7as \u00e0s arboriza\u00e7\u00f5es dos anos de 1910-30. Se calhar tamb\u00e9m cedros. Mas h\u00e1 pelo menos 200 anos que temos registos de haver por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":797,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"saved_in_kubio":false,"pagelayer_contact_templates":[],"_pagelayer_content":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-786","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-passarola"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/786","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=786"}],"version-history":[{"count":28,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/786\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":977,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/786\/revisions\/977"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/797"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=786"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=786"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/odezanovedejunho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=786"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}